Título: Um histórico de falhas
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 04/06/2011, O País, p. 10
Não é a primeira vez em que erros de impressão causam prejuízos ao ensino e ao Ministério da Educação (MEC). No ano passado, milhares de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2010) foram prejudicados por falhas em provas do teste, que continham questões duplicadas ou em número menor do que o previsto.
Os erros ocorreram num lote de 21 mil cadernos impressos pela gráfica RR Donnelley. O MEC acabou tendo que realizar nova edição do Enem para os participantes prejudicados pelo problema. Além da falha na gráfica, o Enem de 2010 foi prejudicado por um erro de impressão no cabeçalho da folha de respostas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem, equivocou-se ao elaborar a folha de respostas, invertendo a ordem das questões. Esse problema acabou atingindo todos os participantes do Enem, gerando muita confusão, já que fiscais de provas deram orientações contraditórias em diferentes locais de aplicação do teste.
A Justiça Federal chegou a conceder liminares cancelando o Enem de 2010, mas o governo conseguiu reverter a situação recorrendo ao Tribunal Regional Federal em Recife. O então presidente do Inep, Joaquim Neto, acabou deixando o cargo.
Embora não se trate de falha de impressão nem edição, a distribuição de um livro didático de língua portuguesa que diz que é certo falar com erros de concordância também suscitou polêmica nas últimas semanas.
A obra "Por uma vida melhor", distribuída pelo Programa Nacional do Livro Didático a turmas de educação de jovens e adultos, no ensino fundamental, registra as diferenças entre a norma culta e a norma popular da língua, afirmando que a norma popular não está errada, mas pode levar quem a utiliza a sofrer preconceito linguístico. Para o MEC, o livro didático não está errado e apenas se filia a uma corrente linguística defendida por especialistas.
Situação bem diferente é a da coleção Escola Ativa, que levou o Ministério da Educação a pedir a investigação do caso. O ministério determinou a suspensão da utilização da coleção e recomendou às escolas que se limitem a utilizar os livros didáticos também distribuídos pelo governo.