Título: Protesto pega fogo: bombeiros invadem QG
Autor: Victor , Duilo
Fonte: O Globo, 04/06/2011, Rio, p. 22

Manifestantes arrombam portões levando mulheres e crianças; lugar é cercado por tropa de choque da PM

BOMBEIROS AMOTINADOS tomam o pátio do Quartel Central: acessos ao local foram bloqueados por caminhões e mangueiras de incêndio

Em mais uma tentativa de discutir o aumento salarial para a categoria, cerca de mil bombeiros invadiram ontem à noite o Quartel Central da corporação, na Praça da República, forçando a entrada e arrombando os portões. Eles carregavam faixas e cartazes exigindo um encontro imediato com o comandante-geral do Corpo dos Bombeiros. Os manifestantes estavam acompanhados de crianças e mulheres, para evitar um possível confronto com a Tropa de Choque da PM, que cercou o local com a cavalaria e viaturas. Os acessos ao local foram bloqueados por caminhões de salvamento da própria corporação e mangueiras de incêndio. O governo estadual reagiu, ordenando a prisão dos manifestantes, uma vez que eles invadiram um bem público.

De acordo com o governo, o grupo teria agredido o coronel Waldir Soares, comandante do Batalhão de Choque da PM, desrespeitando, assim, as regras da própria instituição militar. Para a administração estadual, a manifestação tem motivação política.

O porta-voz do movimento, cabo Benevenuto Daciolo, orientou os manifestantes, com a ajuda de um megafone, a se sentarem no chão e a não resistirem a uma possível intervenção da PM. Daciolo afirmava que a única condição para que o grupo saísse do quartel era que fossem recebidos por uma autoridade do governo, capaz de cumprir a reivindicação de aumentar o piso salarial dos bombeiros guarda-vidas.

¿ Só vamos sair daqui quando chegar alguém com poder de decisão, como o governador, o vice-governador ou um secretário ¿ disse Daciolo.

Antes de invadir o QG da corporação, os cerca de mil bombeiros que participam do protesto tumultuaram o trânsito no Rio. Eles chegaram a interditar a Rua Primeiro de Março e a pista central da Avenida Presidente Vargas, sentido Praça da Bandeira.

Há mais de um mês, o grupo de bombeiros reivindica melhores condições salariais e de trabalho.