Título: IGP-M é o primeiro índice em deflação no ano
Autor: Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 10/06/2011, Economia, p. 27
Taxa que reajusta o aluguel ficou em -0,09% no início do mês, com os alimentos e combustíveis mais baratos
A prévia de junho do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou a primeira deflação deste ano entre os índices de inflação. A taxa medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV) foi de -0,09%, na primeira medição negativa do índice desde dezembro de 2009, quando a baixa foi de 0,16%. O dado divulgado ontem, bem inferior aos 0,70% do mesmo período de maio, indica um período de inflação mais baixa que no começo do ano. Embora o índice oficial de inflação do país seja o IPCA, do IBGE ¿ usado para a meta de inflação do governo ¿, o IGPM é importante por ainda ser o mais praticado nos reajustes de contratos de alugueis. Em 12 meses, o IGP-M acumula alta de 8,75% e, no ano, de 3,24%. Especialistas esperam que o índice chegue ao fim de junho com uma taxa ainda mais negativa, de -0,20%.
¿ Há quedas nos alimentos e no etanol, que subiram muito no início do ano ¿ afirmou Elson Teles, o economista-chefe da Máxima Asset.
Segundo o coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Salomão Quadros, o resultado mostra uma desaceleração geral dos preços, tanto no atacado como no varejo. Como já havia sido percebido em alguns índices de preços de maio, as quedas mais intensas foram nos preços dos combustíveis, como o álcool e a gasolina.
¿ Pode ser que tenhamos deflação este mês. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA, um dos índices que compõem o IGP-M) veio baixo ou com deflação generalizada. Com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC, que também integra o IGP-M) foi a mesma coisa ¿ disse.
O IPA apresentou deflação de 0,53% nesta primeira prévia. As principais contribuições vieram, além dos combustíveis, dos alimentos como o algodão em caroço ( 17,44%), aves (-7,54%), cana-de-açúcar (-3,81%) e bovinos (2,59%). O IPC registrou deflação de 0,18% na primeira medição de junho, sendo que as maiores reduções foram também nos alimentos e combustíveis. Os preços da batata-inglesa caíram 22,8%; do álcool combustível, 16,28%; da gasolina, 2,15%; da cenoura, 15,86%; e o da laranja, 10,69%.
A deflação só não foi maior pela alta de 2,97% no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), terceiro componente do IGP-M. No mesmo período do mês anterior, a inflação deste índice fora de 0,94%. O que mais pesou foi a elevação do custo da mão de obra, que em junho subiu 5,54%, contra 1,55% na medição anterior:
¿ O INCC foi influenciado por reajustes salariais em São Paulo, Brasília e Salvador, que ocorreram em maio, mas que ainda têm reflexos neste índice. Acredito que até o fim do mês essa alta fique bem menor ¿ disse Quadros.
Especialista diz que inflação ainda inspira cuidados
O economista Joaquim Elói Cirne de Toledo, ex-professor da USP, afirma que este movimento já era esperado. Segundo ele, a causa da forte alta dos preços no começo do ano foi controlada e a tendência é de acomodação:
¿Há dois preços que são os mais importantes para a economia: salários e câmbio. Com a economia mais fraca, não acredito em fortes reajustes nos próximos meses. E também não vejo razões para que o dólar se fortaleça ante o real, muito pelo contrário.
Mas, para ele, isso não significa que a inflação está totalmente domada:
¿ Quem acredita em deflação, que a situação está totalmente resolvida, se equivoca tanto quanto as pessoas que, há pouco mais de um mês, estavam achando que estamos em um surto inflacionário. Uma expansão mais comedida do crédito deve continuar a ser observada, assim como a austeridade fiscal.