Título: Unir petistas da Câmara é primeiro desafio de Ideli
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Globo, 11/06/2011, O País, p. 13
Apesar de elogios à ministra, bancada vive clima de derrota
BRASÍLIA. O primeiro grande desafio da nova articuladora política do governo, ministra Ideli Salvatti, será tentar sanar a crise e as fissuras na bancada do PT na Câmara, que se arrastam desde a disputa pela eleição do presidente da Casa. Dividida, a bancada perdeu a batalha ao tentar convencer a presidente Dilma a manter alguém indicado pelos deputados na coordenação política. De público, elogiaram a decisão da presidente. Nos bastidores, o clima era de derrota.
Um dos símbolos da fragilidade do PT na Câmara é justamente o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que pretendia o cargo de Luiz Sérgio. Pela segunda vez consecutiva, Vaccarezza perde na disputa interna na bancada a indicação para uma vaga de maior destaque. Na primeira, teve que abrir espaço para a eleição de Marco Maia como presidente da Câmara. Outra parte da bancada tentava emplacar o ex-presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), sem sucesso.
Antes de virar ministra, na quarta-feira Ideli esteve no Congresso e conversou com deputados petistas. Ontem, ligou para companheiros de confiança pedindo ajuda na missão. Na Câmara, o governo precisa aprovar medidas provisórias e o novo regime de licitações para obras da Copa e das Olimpíadas.
Para os petistas, ao indicar Ideli, Dilma quis dar uma demonstração de força. Nos bastidores, alguns reagem e afirmam que, apesar da divisão, a bancada é a mais fiel ao governo. Outros admitem que a divisão tem prejudicado o partido, que perde espaço para o PMDB. Vice-líder do governo, o deputado Odair Cunha (PT-MG) não acredita que a escolha de Ideli reforçará a divisão da bancada:
- Se a presidente tivesse escolhido um dos lados, teria reforçado a divisão. Mas Ideli tem o nosso respeito e apoio.
O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), elogiou a escolha e minimizou a perda de espaço da bancada no governo.
- Continuamos tendo dois ministros: Maria do Rosário e Luiz Sérgio. O perfil de Ideli é o ideal para a função: tem experiência parlamentar, capacidade de diálogo. O que importa é que tenha bom diálogo com a bancada, e essa garantia Ideli dá. Vamos buscar o entrosamento e pôr um ponto final no passado.
Já o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), divulgou nota oficial na qual deseja sucesso a Ideli no novo cargo.
Entre os aliados, a indicação também é elogiada oficialmente, mas todos frisam que Ideli foi uma escolha pessoal de Dilma. O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), diz que o cargo exige do ocupante identidade e absoluta confiança da presidente, o que faltou a Luiz Sérgio.
- Agora queremos que dê certo, que a articulação articule. O governo tem uma base forte, 14 partidos. Quem escolheu a Ideli foi a presidente, ela deve ter esse perfil. Do PMDB ela (Ideli) terá total colaboração.