Título: Horas extras e profissionais coringas
Autor: Lins, Letícia ; Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 13/06/2011, O País, p. 4
Redes estaduais de ensino improvisam para oferecer novas disciplinas
RENAN PEDROSO: da história à sociologia
Colega da professora Letícia Nascimento no escola estadual Leonor Porto, em Pernambuco, o professor Rildo José da Silva é formado em geografia, mas também ensina história e filosofia. É efetivo há três anos e reclama que, em todo esse período, nunca foi convocado para nenhum curso de filosofia.
¿ Somos empurrados para a sala de aula sem capacitação ¿ ratifica Letícia.
A Secretaria estadual de Educação de Pernambuco reconhece que os docentes de filosofia e sociologia não têm formação específica. Mas garante que o governo vem promovendo, na Universidade Federal de Pernambuco, cursos de extensão nessas duas áreas.
Formado em história e há dois anos professor do Estado do Rio, Renan Pedroso dá aula de sociologia há seis meses. Hoje, dá mais aula de sociologia do que de história: são 12 tempos na sua área e 18 na outra, um total de 30 tempos semanais nos quais ele se desdobra para tirar R$1,3 mil por mês. Numa das três escolas em que trabalha, no Lins, diz que os alunos ainda não tiveram filosofia este ano:
¿ Há profissionais de filosofia e sociologia para dar aula; conheço um que passou em concurso e não foi chamado. A secretaria, em vez de contratá-los, paga hora extra aos que já estão lá.
Subsecretário de Gestão de Ensino do Rio, Antonio Vieira Neto diz que a secretaria tem chamado concursados nas novas áreas e que foi feito um currículo mínimo das novas matérias para orientar os professores, sobretudo os que não são da área. Vieira acha que a obrigatoriedade das novas disciplinas ¿deve ser revista¿, e que seus conteúdos, em vez de numa disciplina, sejam oferecidos, por exemplo, por projetos nas matérias tradicionais. (Alessandra Duarte e Letícia Lins)