Título: Inflação em baixa, previsões para Bolsa em alta
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 06/06/2011, Economia, p. 22
PIB no 1º trimestre reduz preocupação com aumentos de preços e corretoras incluem varejo, bancos e construtoras nas recomendações
A expectativa de uma trégua temporária da inflação nos próximos meses deve ajudar a recuperar a confiança dos investidores e melhorar o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que acumula queda de 6,76% de janeiro a maio, prevê a maioria dos analistas. O crescimento menor do consumo no primeiro trimestre (0,6% frente ao quarto trimestre), conforme os dados do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) divulgados na sexta-feira, e os últimos indicadores da economia parecem ter, pelo menos a curto prazo, reduzido as preocupações com a inflação. Assim, as perspectivas são de menos altas nos juros básicos e medidas para conter o crédito, abrindo espaço para a reação no mercado de ações.
Diante desse cenário, aumentam as apostas das corretoras no mês de junho para ações de empresas de setores mais ligados ao mercado doméstico, como varejo, bancos e construtoras. Passaram a fazer parte das carteiras das corretoras, ou tiveram sua posição ampliada, papéis de companhias como Hering, AmBev, Arezzo, Natura, Lojas Americanas, Lojas Marisa, Lojas Renner, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, MRV e Rossi.
Por outro lado, saíram do foco de prioridades ações consideradas como proteção em um ambiente de inflação elevada, como as de CCR Rodovias e Energias do Brasil.
- Os indicadores de inflação, que vinham perto de 0,70% e 0,80% ao mês, devem recuar para leituras de 0,20%, 0,30%, por causa de preços de alimentos, commodities e combustíveis. Vai haver uma trégua pelo menos temporária na inflação - afirma o estrategista de renda variável do HSBC, Carlos Nunes.
Por isso, o HSBC incluiu Hering ON (ordinária, com direito a voto) nas recomendações para o mês e elevou a fatia de Itaú Unibanco PN (preferencial, sem voto) e AmBev PN.
Pão de Açúcar sai de carteiras por turbulência
A perspectiva da equipe de pesquisa do BTG Pactual também é de desaceleração da inflação, permitindo uma mudança no foco de discussão do mercado. Este cenário levou ao aumento da exposição nos setores bancário - concentrado em Itaú Unibanco PN - e imobiliário - com MRV e Rossi. Apesar da recente recuperação nos papéis de construtoras, o BTG Pactual ainda vê espaço para mais.
Na avaliação da equipe de pesquisa da Planner, a desaceleração da inflação que começa a aparecer nos indicadores já é reflexo das medidas de restrição ao crédito lançadas pelo governo desde dezembro. E esse cenário, somado ao clima de volatilidade externa, motivou a corretora a ampliar a aposta em empresas ligadas ao mercado doméstico. Entraram na lista de recomendações Lojas Marisa ON, Arezzo ON e Banco do Brasil ON.
As apostas no varejo para junho têm, no entanto, uma exceção: Pão de Açúcar. A ação foi excluída da carteira de cinco corretoras (Ativa, Citi, BB Investimentos, Link Investimentos, Bradesco BBI), embora ainda permaneça como recomendação da Votorantim Corretora. O mercado está cauteloso depois do pedido de arbitragem internacional do grupo francês Casino contra a família Diniz, com quem divide o controle da maior varejista do Brasil, por causa de possível negociação de fusão às escondidas com o Carrefour.
Outra mudança a se destacar foi a retirada de Brasil Telecom PN, que subiu 35,09% no ano, da carteira da XP Investimentos. A corretora sugere que o investidor embolse os ganhos com os papéis, apesar das boas perspectivas. O alerta é de um certo risco caso haja alguma dificuldade na reestruturação societária proposta pelo Grupo Oi, que vai reduzir de sete para apenas duas as classes de ações.
Já a ação da Petrobras foi retirada do portfólio de recomendações da Citi Corretora, que incluiu OGX no lugar. Segundo a corretora, há mais convicção no potencial de alta dessas últimas ações a curto prazo. Em abril, os papéis de Petrobras já tinham sido retirados da carteira da XP Investimentos.
Um pouco mais cauteloso com o cenário para junho está o chefe da área de Pesquisa do Bradesco Banco de Investimento (BBI), Carlos Firetti. Segundo ele, ainda não há razões para uma recuperação da Bolsa a curto prazo, e os melhores números para a inflação só devem aparecer a partir de agosto:
- Não estamos absolutamente pessimistas, vejo a Bolsa se recuperando no fim do ano com dados melhores de inflação, mas não a curto prazo.