Título: Distribuição dos convênios com estados é desigual
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 26/06/2011, O País, p. 12

Santa Catarina, terra de dois ex-ministros, tem 102 convênios; o Rio tem até agora 11

BRASÍLIA. Segundo dados do Portal da Transparência, o Ministério da Pesca tem convênios firmados com estados e entidades diversas no valor de R$333,32 milhões. Mas a distribuição é desigual e privilegia Santa Catarina, terra natal dos ex-ministros Altemir Gregolin e Ideli Salvatti.

Com Santa Catarina, que tem 5,8 milhões de habitantes, foram assinados 102 convênios, no valor de R$41, 9 milhões. Já com o Rio, que tem 14,8 milhões de habitantes, a Pesca assinou apenas 11 convênios, no valor de R$3,5 milhões. O Rio é o estado do atual ministro Luiz Sérgio Oliveira, que acabou de assumir.

Para o professor Luiz Fernando Bessa, do Departamento de Administração da Universidade de Brasília, a criação dessas estruturas - em especial as que já faziam parte de outras pastas, como é o caso do Ministério da Pesca (atividade antes abrigada no Ministério da Agricultura) - passa a impressão para a sociedade de que se trata muito mais de um arranjo político, do interesse da governabilidade, do que o atendimento de uma demanda de um setor econômico. Ele defende, por outro lado, as estruturas criadas na Presidência para desenvolver políticas de gênero e de igualdade racial:

- Separo a questão econômica e a social. Acho que era preciso um núcleo para consolidar as políticas em relação à raça e gênero (secretarias da Igualdade Racial e das Mulheres). Nesses casos havia demandas que foram atendidas.

Na visão de José Paulo Silveira, da Macroplan, o governo tem recursos humanos, mas precisa de coragem para administrar as pressões políticas e muito trabalho para atingir o objetivo de gestão eficiente:

- Cabe ao governo sair da mesmice e investir de fato na inovação para melhorar a gestão na administração pública.