Título: Tombini na frente
Autor: Foreque, Flávia
Fonte: Correio Braziliense, 14/08/2009, Política, p. 4
Funcionário de carreira, Tombini é o mais cotado para suceder Meirelles
O lançamento da candidatura de Henrique Meirelles para disputar o governo de Goiás, em 2010, pelo presidente Lula, deu início ao processo de sucessão no comando do Banco Central (BC). Os dois nomes mais fortes para assumir a presidência da instituição são os de Alexandre Tombini (diretor de Normas), o preferido do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e Mário Mesquita (diretor de Política Econômica). Corre por fora o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Banco Santander, Fábio Barbosa. Em 2002, com Lula eleito, ele foi convidado para o posto, mas recusou por temer um possível desastre na área econômica em um governo petista.
Pelo cronograma acertado com Lula, Meirelles se filiará a um partido político até o fim de setembro, prazo máximo dado pela Justiça Eleitoral. ¿Será como assumir uma opção de compra para uma candidatura¿, tem dito ele a correligionários. A tendência é de que o presidente do BC se filie ao PP, sigla do atual governador goiano, Alcides Rodrigues. Há, porém, a possibilidade de Meirelles optar pelo PMDB, caso Lula consiga convencer o prefeito de Goiânia, Íris Rezende, a desistir da candidatura ao governo e concorrer ao Senado. ¿Seria a aliança perfeita. Poderíamos derrotar o senador Marconi Perillo (PSDB), uma questão de honra para o presidente Lula¿, disse um aliado de Meirelles. A saída dele do BC ocorrerá entre o fim de março e o início de abril do ano que vem.
Nos corredores do BC, a aposta mais firme para a sucessão de Meirelles é por Tombini. ¿Ele está sendo preparado para o cargo. É um funcionário de carreira, com ótimo trânsito na Fazenda e, com certeza, manterá a credibilidade do BC perante o mercado¿, avaliou um técnico do banco. Para ele, Lula deverá aprovar um nome que não provoque dúvidas entre os investidores de que haverá mudanças bruscas na condução da política monetária. ¿Por isso, tanto Tombini quanto Mário Mesquita despontam como as alternativas mais prováveis. Quem for o escolhido não causará marola.¿
Tampão
A opção pelo processo de continuidade no BC também está atrelada à dificuldade do governo para encontrar alguém no mercado que aceite assumir um mandato-tampão ¿ 10 meses. ¿É verdade que dá prestígio ser presidente do BC, mas o tempo de mandato será curto e estaremos no meio de uma eleição acirradíssima¿, afirmou um assessor de Lula. ¿Então, se escolhermos um diretor que já é conhecido e respeitado pelo mercado, tudo ficará mais fácil¿, completou. Ele não descartou algumas mudanças na diretoria. O diretor de Liquidações, Gustavo Matos do Vale, por exemplo, está prestes a se aposentar. E o diretor de Política Monetária, Mário Torós, deu sinais de que pretende retornar ao setor privado.
Se o futuro da presidência do BC está indefinido, Meirelles não se fez de rogado e vestiu de vez o uniforme de candidato. Ontem, para agradecer o apoio de Lula e os elogios que recebeu em palanque montado em Anápolis, sua cidade natal, estimulou a difusão de notícias de que o BC comprará mais dólares para segurar as cotações da moeda americana e que ainda há espaço para mais cortes na taxa básica de juros (Selic). Temas que soam como música aos ouvidos do presidente da República.