Título: Doadores do PR têm contratos de R$1 bi com Transportes
Autor: Carvalho, Jailton de; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 06/07/2011, O País, p. 3
Empreiteiras atuam em obras investigadas no TCU por superfaturamento
BRASÍLIA. Os principais doadores de campanha do PR, partido que controla o Ministério dos Transportes, receberam ano passado R$986,2 milhões de órgãos vinculados à pasta chefiada pelo ministro Alfredo Nascimento: o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, estatal que cuida das ferrovias. Essa é a maior fatia das verbas que três empreiteiras receberam do governo federal. Juntas, Queiroz Galvão, Sanches Tripoloni e Andrade Gutierrez abasteceram os cofres do PR com quase R$6 milhões em 2010.
As três empreiteiras figuram em acórdãos do Tribunal de Contas da União (TCU) como beneficiárias em obras gerenciadas pelos dois órgãos, suspeitas de sobrepreço, superfaturamento e outras irregularidades. Uma das executoras da Ferrovia Norte-Sul, alvo de investigação do TCU e da Polícia Federal, a Queiroz Galvão doou R$2 milhões ao PR. Em 2009, recebeu do governo R$415,09 milhões, dos quais R$348,1 milhões do Dnit e R$52,5 milhões da Valec. A dinâmica foi a mesma em 2010 (R$258,3 milhões, de um total de R$294,9 milhões); este ano, até ontem, obteve R$84,4 milhões desses órgãos, de um total de R$85,9 milhões recebidos do governo federal.
A Sanches Tripoloni, que contribuiu com R$2 milhões para o PR, recebeu do Dnit tudo o que faturou da União desde 2009: R$468,14 milhões. A empresa integra o consórcio que constrói o Contorno Norte de Maringá, na qual o TCU apontou sobrepreço de R$9,9 milhões. Em novembro de 2010, o TCU bloqueou, preventivamente, R$2,5 milhões do empreendimento.
A Andrade Gutierrez, que repassou mais R$1,7 milhão ao PR, recebeu R$679,95 milhões do governo desde 2009, 83% do Dnit e da Valec. A empresa também é alvo de auditorias do TCU que apontam sobrepreço em obras, como o Arco Metropolitano do Rio. Num acórdão de maio, o órgão determinou que sejam devolvidos R$1,2 milhão, relativo a superfaturamento na construção de um trecho rodoviário entre Mato Grosso e Pará. A Queiroz Galvão terá de pagar R$1,3 milhão.
A Queiroz Galvão negou que exista relação entre os contratos firmados com Dnit e Valec e as doações. "Todos os contratos da empresa estão dentro da legalidade e foram firmados a partir de licitações públicas, por atenderem critérios de menor preço, competências técnicas e documentais", afirmou. A Andrade Gutierrez não se pronunciou. O GLOBO deixou recado na sede da Sanches Tripoloni e no telefone de um de seus diretores, mas não obteve retorno.
COLABOROU André de Souza