Título: PR: bancada polêmica e vícios do velho
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Fonte: O Globo, 07/07/2011, O País, p. 9
Partido muda de nome, mas não se livra dos escândalos
BRASÍLIA. Depois que o então senador eleito pelo PR do Amazonas, Alfredo Nascimento, instalou-se no comando do Ministério dos Transportes pela segunda vez, em março de 2007, o seu partido quase dobrou o número de deputados federais entre as eleições de 2006 e as de 2010. Passou de 23 para 41 parlamentares na Câmara. É hoje a sexta maior bancada e também uma das mais controversas, composta por nomes polêmicos e, muitos deles, envolvidos em escândalos políticos e administrativos.
Do novato Tiririca (SP) ao veterano Inocêncio Oliveira (PE), passando por Anthony Garotinho e seus aliados do Rio que desembarcaram na legenda para as eleições de 2010, a bancada do PR na Câmara acomoda interesses de setores variados. E continua com os mesmos vícios de quando ainda era o PL (Partido Liberal), um dos maiores beneficiários da montanha de dinheiro distribuída entre os partidos aliados do governo Lula e que resultou no barulhento escândalo do mensalão.
Ao migrar do PMDB, onde perdeu espaço para o governador do Rio, Sérgio Cabral, para o PR, o ex-governador Anthony Garotinho levou o seu grupo, e o partido elegeu uma bancada de sete deputados federais no estado, no ano passado. Além de Garotinho, formam a bancada fluminense do PR políticos como Dr. Paulo Cesar, Neilton Mulim, Zoinho, Liliam Sá e Francisco Floriano.
A bancada do PR na Câmara conta ainda com outros políticos que já fizeram fama nacional como Sandro Mabel (GO), Aracely de Paula (MG) e Luciano de Castro (RR).
O partido também ampliou sua bancada no Senado, tendo hoje cinco senadores. Alfredo Nascimento, de volta à Casa, aumentará o grupo de parlamentares para seis, já que o seu suplente que ocupa a vaga atualmente é o petista João Pedro. Magno Malta (ES) e Blairo Maggi (MT) são outros senadores conhecidos do grande público.
A bancada do PR no Senado ainda foi favorecida pela regra dos suplentes: Clésio Andrade (MG) herdou metade do mandato de Eliseu Rezende, que morreu em janeiro deste ano; e Antonio Russo (MS) cumprirá até o final de 2015 o mandato da tucana Marisa Serrano, que assumiu vaga de ministra no Tribunal de Contas do Estado (TCE).