Título: Dói no bolso e na pele
Autor: Nogueira, Danielle; Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 08/07/2011, Economia, p. 23

Custos de serviços como depilação sobem mais de 10% e preocupam

O serviço de depilação foi um dos principais vilões da inflação no mês passado. Nos 12 meses encerrados em junho, a inflação acumulada chegou a 6,71%, enquanto os preços de depilação subiram mais que o dobro no mesmo período (14,5%), acima de outros serviços como manicure e pedicure (11,73%) e estacionamento (11,49%). A disparada dos preços dos serviços virou uma preocupação não só para mulheres e homens adeptos de remover os pelos com cera quente, mas também para economistas e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que precisa impedir o estouro do teto da meta de 6,5% de variação do IPCA este ano.

Só em junho, a depilação encareceu 3,27%, reajuste inferior apenas ao de ingresso para jogo (6,49%) e serviço bancário (4,40%). Em 12 meses, a inflação dos serviços avança 8,74%, acima do IPCA do período.

Os preços de serviços, e agora até a depilação, são importantes para controlar a inflação, porque, segundo estimativas do economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, responderam por 33% do IPCA acumulado nos últimos 12 meses. Quanto maior a alta, maior o peso desse setor, explica. Enquanto a inflação oficial subiu 3,87% até junho, os custos de serviços avançaram 5,86% no primeiro semestre.

Os reajustes no mês passado tornaram a depilação "a ponta do iceberg" da alta dos serviços no mês, na opinião do economista. Detalhe: o IBGE só pesquisa os preços cobrados para depilação na Região Metropolitana de Belo Horizonte e considera essa variação no levantamento nacional.

- Depilação é a ponta do iceberg. Um mês é despachante, noutro é cabeleireiro - diz Leal, que explica o fenômeno devido à renda maior e à ascensão social.