Título: Turismo cancela verba para ONG sob suspeita
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 25/07/2011, O País, p. 5

Um terço dos R$12 milhões que IBH receberia seria destinado, segundo o projeto, a lanches e "coffee breaks"

BRASÍLIA. O Ministério do Turismo cancelou um empenho (promessa de pagamento futuro) de R$12 milhões para o Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH), após revelação do GLOBO, semana passada, de que se tratava de uma organização não governamental sob suspeita de irregularidades. O projeto cancelado previa gastar, entre outras coisas, R$4 milhões (33,3% do total) só com coffee break e lanches para convidados nas aulas inaugurais dos cursos previstos no convênio. Esse montante que seria gasto com cafés e lanches é quatro vezes maior que os R$959 mil que o instituto se propôs investir com a contratação de professores.

A ONG é dirigida por César Gonçalves, afastado há três anos dos quadros da Brasiliatur - empresa do governo do Distrito Federal que cuida das ações de turismo - em meio a denúncias de malversação de recursos públicos. Gonçalves foi exonerado pelo ex-governador José Roberto Arruda, que perdeu o cargo e foi preso sob acusação de corrupção.

O ministério pretendia repassar os R$12 milhões ao IBH mesmo sem conhecer exatamente o projeto, que tinha como objetivo final qualificar, à distância e por computador, capitães-porteiros, mensageiros, governantas e gerentes de hotéis de cidades que deverão receber turistas durante a Copa de 2014. Os contratos entre o ministério e o instituto estão sendo investigados pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Dos R$12 milhões suspensos, R$1,2 milhão seriam gastos com equipes de divulgação e outros R$800 mil com um dia de city tour para todos os 20 mil alunos. Os R$4 milhões a serem gastos com coffee breaks seriam suficientes para pagar 16.529 benefícios do valor máximo do Bolsa Família, de R$242, por mês. Ou o pagamento por um ano a 1.377 beneficiários.

O ministério aprovou, de 31 de dezembro de 2009 até agora, três contratos no valor total de R$52,2 milhões com o IBH. Apenas os R$12 milhões foram suspensos. O instituto é ligado à Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih):

- São números parrudos. Eu não sabia que era tanto dinheiro - disse o presidente da Abih, no Rio, Alfredo Lopes.