Título: Pará lidera derrubada na Amazônia
Autor: Roxo, Sérgio
Fonte: O Globo, 03/08/2011, O País, p. 12
No último mês, desmatamento cresceu 17%; no semestre, aumentou 80%
SÃO PAULO. O desmatamento na Amazônia aumentou 79,4% nos seis primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Só último mês, a floresta perdeu 312,7 quilômetros quadrados, número 17% maior do que o registrado em maio. Na relação com junho de 2010, o quadro fica pior: uma derrubada 28% mais intensa.
A medição do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para orientar a fiscalização ambiental, indica que a região perdeu 1.192,8 quilômetros quadrados de floresta no primeiro semestre de 2011. Entre janeiro e junho de 2010, a área devastada havia sido de 665 quilômetros quadrados.
Mapeamento atual é mais abrangente que o de 2010
As comparações devem ser avaliadas com ressalva, já que, por causa da variação da quantidade de nuvens, há diferenças nas áreas em que é possível fazer o mapeamento. Em junho de 2010, as condições atmosféricas só permitiram a avaliação de 51,6% da floresta amazônica. Este ano, o mapeamento atingiu 61,2% da região.
O estado mais afetado pelo desmatamento no mês de junho foi o Pará, com 119,6 quilômetros quadrados de mata derrubada. Em segundo lugar aparece o Mato Grosso, com 81,5 quilômetros quadrados. Logo atrás vem Rondônia, com 64,2 quilômetros quadrados, seguido pelo Amazonas, com 41,7 quilômetros quadrados. O Tocantins foi o estado com a menor área de mata devastada: apenas meio quilômetro quadrado.
Apesar de ter aumentado drasticamente em relação ao ano passado, a área devastada no primeiro semestre deste ano é semelhante à de 2009, quando foi registrada a derrubada de 1.121,8 quilômetros quadrados de floresta amazônica. Na comparação, o número deste ano é apenas 6,3% maior.
Os dados sobre desmatamento são coletados quase diariamente por meio de imagens de satélite pelo sistema Deter do Inpe e repassados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que possam auxiliar no trabalho de fiscalização da região.