Título: Não registramos saída de dólares
Autor: Barbosa, Flávia;Beck, Martha
Fonte: O Globo, 09/08/2011, Economia, p. 26

ALDO MENDES

BRASÍLIA. O diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, crê que a situação internacional está bem encaminhada. No Brasil, ele vê impacto na Bolsa e na oscilação das commodities.

Flávia Barbosa

A segunda-feira foi de estresse. Houve surpresa?

ALDO MENDES: Foi o que a gente esperava, ninguém lá fora esperava que a revisão de uma agência, com contexto político, fosse provocar uma fuga em massa dos títulos americanos. Tanto que os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) estão se valorizando. O mercado americano é e continua sendo o maior, o mais líquido, o mais seguro.

O Brasil vai reduzir títulos dos EUA nas reservas?

MENDES: Não tem por que mudar. O risco dos EUA continua muito baixo.

Não há ameaça de nova crise severa no mundo?

MENDES: Não. As decisões foram tomadas de forma tempestiva e correta. Vai haver aumento da aversão ao risco e ativos já sofrem, como em Bolsas e commodities.

O impacto no Brasil ficou restrito à Bolsa?

MENDES: Não registramos qualquer fluxo de saída expressivo. Ao contrário, tem entrada (de dólares) maior hoje (ontem) do que saída.

A crise deverá ter também efeito positivo sobre a inflação no Brasil?

MENDES: Há efeitos ambíguos (para a inflação) no setor externo. É cedo para dizer o impacto para o crescimento.