Título: Dilma: país não está imune à turbulência
Autor: Barbosa, Flávia;Beck, Martha
Fonte: O Globo, 09/08/2011, Economia, p. 26

Presidente pede apoio do Congresso e critica a avaliação precipitada da agência de classificação de risco

Flávia Barbosa, Martha Beck, Luiza Damé, Catarina Alencastro e Maria Lima

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a avaliação do governo brasileiro é de que a Standard & Poor"s errou no rebaixamento da nota dos Estados Unidos. Ela reforçou que o Brasil está em situação bem mais sólida do que na crise de 2008. Ainda assim, a presidente disse que o país não está imune à turbulência e precisa da ação de governo, empresários e sociedade. Ela pediu que os brasileiros tenham "muita tranquilidade, muita calma e nenhum excesso", além de continuarem consumindo, para girar o mercado doméstico:

- Hoje nós estamos muito mais fortes para enfrentar a crise do que estávamos no início de 2009 e fim de 2008. Temos clareza de que não somos imunes, não vivemos em uma ilha, mas sabemos que o Brasil tem força suficiente para fazer face a essa conjuntura.

A presidente criticou a agência de risco S&P, afirmando que "todas as avaliações apontam que ela (S&P) errou".

- Parece que (o erro) foi de US$2 trilhões. Não se pode, num momento desses, ficar tomando atitudes dessas, que não têm base real - disse Dilma. - Não compartilhamos com a avaliação precipitada, e um tanto quanto rápida e não correta da agência.

A presidente afirmou que o governo vai tomar as medidas necessárias para proteger o mercado doméstico e preservar o crescimento, mas "sem alvoroço":

- Eu não vou dizer "sim" ou "não", mas não estou vendo, nesta semana, nenhuma medida.

Dilma classificou a crise de "muito grave"

Na reunião de coordenação de governo, realizada no fim do dia no Palácio do Planalto, a presidente expressou preocupação, pediu apoio e parceria do Congresso para evitar a aprovação de medidas que impliquem risco para o equilíbrio fiscal e se referiu ao novo abalo como algo "muito grave, de proporções imprevisíveis". A presidente lembrou ser fundamental o apoio do Congresso, ao avaliar que a situação dos Estados Unidos não teria atingido tais proporções se a disputa política não tivesse contaminado as negociações.

- A situação é muito grave, mas aprendemos muito com a crise de 2008 e hoje o Brasil tem melhores instrumentos para enfrentá-la. E a parceria com o Congresso é fundamental para enfrentarmos esse desafio, não aprovando nada que implique geração de despesas.