Título: Mais perto de um mergulho recessivo
Autor: Neder, Vinicius
Fonte: O Globo, 05/08/2011, Economia, p. 23
FERNANDO CARDIM
Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernando Cardim se mostra pessimista diante da atual conjuntura política e econômica nos Estados Unidos e na Europa. Na análise do economista, a combinação entre desgaste político e pouca margem de manobra dos governos para animar a economia deixa o mundo muito próximo de uma nova recessão.
A crise de 2008 pode se repetir?
FERNANDO CARDIM: Acho que desde 2009 a probabilidade de um novo mergulho recessivo nunca foi tão alta. Nos Estados Unidos não há um colapso como na queda do Lehman Brothers, em 2008, mas de uma perspectiva de recuperação fraca este ano passamos à de estagnação. Na Europa o quadro é ainda mais assustador, com as crises de dívida soberana em países como Itália e Espanha. A saída seria uma reestruturação das regras da União Europeia, com a equalização entre economias centrais e a periferia, como Grécia e Portugal. As fragilidades são muito fortes, e a capacidade de recuperação dos governos é muito pequena.
O pacote fiscal americano não ajuda?
CARDIM: Em nada. As empresas percebem que a demanda se reduz e se contraem. Se por um lado os cortes de gastos não têm grande impacto a curto prazo, por outro o governo americano já fez o seu máximo. Daqui para a frente não poderá gastar mais.
Que efeitos o Brasil pode sofrer?
CARDIM: Uma nova crise pode ter um impacto comparável ou até pior que a de 2008. A guerra cambial já está nas primeiras páginas. Os bancos centrais do Japão e Europa lutam para desvalorizar suas moedas. Para o Brasil será muito ruim do ponto de vista do comércio exterior ter de lidar, além do dólar, contra um euro desvalorizado. (Mariana Durão)