Título: Demissão foi decidida logo cedo, e Dilma não escondeu irritação
Autor: Damé, Luiza; Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 05/08/2011, O País, p. 3
Declaração que mais contrariou a presidente foi sobre nomeação de Genoino
BRASÍLIA. A rotineira reunião da manhã entre a presidente Dilma Rousseff e os quatro ministros do Planalto - Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais), Helena Chagas (Secretaria de Comunicação Social) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) - foi marcada ontem por forte irritação da presidente com o que acabara de ler na imprensa. Depois do almoço, com a notícia da demissão do ministro Nelson Jobim (Defesa) já estampada em todos os sites na internet, a presidente falou com ele por telefone e pediu que antecipasse seu retorno de Tabatinga (AM), onde estava para assinatura de acordos com o governo da Colômbia.
Dilma e os ministros do Palácio já sabiam, na noite anterior, que Jobim, em entrevista à revista "Piauí", voltara a soltar o verbo contra o governo. Porém, mais do que dizer que Ideli "é fraquinha" e Gleisi "nem conhece Brasília", o que irritou profundamente a presidente foi o relato que ele fez de um diálogo sobre o assessor do Ministério da Defesa, o petista José Genoino.
Jobim conta que, quando sugeriu o nome de Genoino para assessorá-lo, a presidente perguntou se o petista seria mesmo útil, e que ele respondeu:
- Presidente, quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu.
Isso, Dilma não engoliu. Todos na reunião concluíram que Jobim não tinha mais condições de ficar. Antes da reunião com Dilma, Ideli, que fora avisada pelo próprio Jobim na véspera sobre a entrevista - com a ressalva de que as declarações estavam fora de contexto -, foi preparada para a entrevista ao UOL.
- Para um ministro da Defesa, são desnecessários determinados ataques. É desnecessário. Não é assunto relacionado à pasta dele... Não (fiquei chateada), até porque eu tenho clareza das minhas qualidades, das minhas potencialidades e das minhas dificuldades. Eu me esforço muito para corresponder à honra que a presidenta me deu - disse Ideli.
No início da tarde, a assessoria de Jobim soltou nota negando que ele tenha atacado as colegas ministras: "Em momento algum fiz referência a ela dessa natureza", disse, elogiando Ideli. - "Reconheço na Ideli capacidade e tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos dentro do Congresso". O ministro da Defesa classificou as informações veiculadas na imprensa como "parte de um jogo de intrigas" e uma tentativa de desestabilizá-lo.
De manhã, Gleisi procurou não dar muita atenção aos comentários de Jobim. Considerou "irrelevantes" as declarações dele. Ainda de manhã, Dilma evidenciou que seu humor estava péssimo: ao chegar para reunião com representantes das centrais sindicais, ela entrou na sala sem sequer cumprimentar os ministros presentes, Gilberto Carvalho e Guido Mantega.