Título: Congresso já dava saída como certa pela manhã
Autor: Damé, Luiza; Jungblut, Cristiane
Fonte: O Globo, 05/08/2011, O País, p. 3

Vaccarezza tratava Jobim como ex-ministro antes do anúncio. Guerra demonstra interesse em tê-lo no PSDB

BRASÍLIA. No Congresso, a demissão de Nelson Jobim do Ministério da Defesa começou a ser dada como certa logo nas primeiras horas da manhã de ontem. A avaliação, quase que unânime entre os parlamentares, era que Jobim teria mais uma vez se excedido nas declarações e estaria praticamente pedindo para sair do governo. Uma das primeiras a constatar isso foi justamente uma de suas conterrâneas, a senadora Ana Amélia (PP-RS).

- As declarações são de quem está abandonando o barco, embora este seja o jeito de ele ser. Jobim é sempre Jobim. É do meu signo, Áries, de pessoas intempestivas. Talvez essa seja a razão dessa franqueza excessiva e de suas declarações politicamente incorretas - afirmou a senadora gaúcha, antes de ser formalizada a demissão do ministro no início da noite.

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), as declarações de Jobim soaram como provocação:

- E isso é péssimo.

No início da tarde e antes da definição oficial do nome de Celso Amorim - mais um ex-ministro do governo Lula - para a Defesa, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), praticamente tratou Jobim como ex-ministro, ao ser questionado se o ex-presidente Lula estaria perdendo mais um dos ministros que teria indicado para o governo Dilma:

- Quem falar que está havendo baixas nos ministros do Lula está fazendo uma fala fora do contexto. Foi Lula quem escolheu Dilma. E não existem ministros do Lula, todos são ministros da presidente Dilma, não se iludam. O Jobim não pode ser julgado por declarações infelizes- disse Vaccarezza, no início da tarde, cometendo um ato falho: - Quem a presidente escolher vai continuar o trabalho.

Em meio à nova polêmica gerada pelas declarações de Jobim, que semana passada já admitira publicamente ter votado em 2010 no tucano José Serra, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), sinalizou que o partido se sentiria honrado em ter alguém como ele nos seus quadros:

- O PSDB não se atreve a convidar Jobim (para se filiar). Até porque ele não precisa (de convite). Ele é um homem público que honra qualquer partido.

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), ironizou no Twitter os rumores sobre a queda de Jobim: "Incrível este governo: os probos sinceros são demitidos, os acusados ficam".