Título: Risco ambiental em pequenas localidades
Autor: Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 24/07/2011, Economia, p. 37

O avanço da mineração em áreas em que não há tradição da atividade levanta preocupações, sobretudo ambientais. O projeto da ENRC na Bahia, por exemplo, teve de ser alterado por determinação do Ibama. A previsão era que o minério de ferro extraído em Caetité seria transportado por ferrovia até Ilhéus e, de lá, exportado por terminal privativo da ENRC. O terminal seria erguido numa área conhecida como Ponta da Tulha. Mas, por esta abrigar barreiras de corais, a licença foi negada. O local do porto foi então transferido para Aritaguá, a 5 km do ponto original. O Ibama aguarda o novo estudo de impacto ambiental.

A indefinição do lugar do porto preocupou o Ministério Público estadual, que ajuizou ação para suspender as obras da ferrovia que transportará o minério até Ilhéus, sob alegação de que ela será construída com dinheiro público.

- Se o destino final da ferrovia não está definido, não faz sentido construí-la - diz o procurador Eduardo El Hage.

A ferrovia é a Fiol, que ligará Tocantins ao litoral da Bahia, passando por Caetité. De concessão da Valec, envolvida em corrupção, também teve a licença ambiental de um dos trechos suspensa pelo Ibama. A Valec disse que foi notificada da ação do MP e da suspensão do Ibama semana passada e que apresentará defesa.

O presidente da ENRC, José Francisco Viveiros, disse que "está comprometido em minimizar o impacto do projeto" e espera que os problemas com a Fiol não o atrasem. Disse ainda que a mina de Caetité já obteve todas as licenças ambientais, apesar de preocupações de ambientalistas, como Fábio Feldman, com sítios arqueológicos na região.

Em Nova Olinda do Norte (AM), onde está a Potássio do Brasil, a preocupação é com a destinação do cloreto de sódio (sal de cozinha), subproduto da exploração de potássio. O diretor-executivo da empresa, Helio Diniz, diz que ele será reinjetado no solo, como em outros países. (Danielle Nogueira)