Título: Economia torna o país mais difícil de governar
Autor: Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 15/08/2011, O Mundo, p. 23

Falta de crédito, um desafio a ser superado

BUENOS AIRES. Não é fácil explicar porque tantos políticos querem ser o próximo presidente da Argentina. Um mundo frágil, marcado por escandalosas crise econômicas e revoltas sociais pode cortar no próximo mandato presidencial a disputa que favoreceu o país por quase nove anos. O abandono da austeridade fiscal, iniciado em 2006 e aprofundado em 2007, colocará nas mãos da próxima administração a responsabilidade de esculpir os números da economia. O próximo mandato, seja quem for o presidente, será necessariamente mais complicado que o período entre o último ano de Duhalde e os oito anos dos Kirchner.

Cristina Kirchner repete que o país está blindado. É certo que a Argentina não depende de crédito privado, como na crise de 2001, porque agora sequer tem crédito. A obsessão de dez anos atrás evaporou: ninguém está disposto a emprestar dinheiro aos governantes argentinos por maiores que sejam os juros que estão dispostos a pagar.

O governo gasta 70 milhões de pesos (cerca de US$17 milhões) por ano numa rede de subsídios para o transporte e a energia ¿ montante cinco vezes maior que os recursos destinados aos subsídios para os mais pobres. A crise mundial pode acelerar um processo de reajuste desses fundos, mesmo em caso da reeleição da presidente, para dar subsídios mais eficientes aos pobres e menos subsídios às classes mais ricas. Vai haver um conflito novamente quando o novo governo tomar posse. Por quê, então, tantos querem assumir tamanha adversidade?

O LA NACIÓN é parte do Grupo de Diários América (GDA)