Título: Cristina, imbatível na Argentina
Autor: Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 15/08/2011, O Mundo, p. 23
Primárias expõem oposição fraca e indicam reeleição kirchnerista já no 1º turno em outubro
SORRIDENTE, A presidente Cristina Kirchner vota em Rio Gallegos: tranquilidade
O EX- presidente Eduardo Duhalde, da Frente Popular: sem chances de desistir
janaina.figueiredo@oglobo.com.br
As primeiras eleições primárias da História da Argentina mostraram que, apesar das derrotas sofridas recentemente em eleições regionais, a presidente Cristina Kirchner continua sendo a grande favorita para o pleito presidencial de 23 de outubro ¿ com chances de reeleger-se já no primeiro turno. Os números preliminares da apuração, segundo a imprensa local, indicaram, ainda, que não há liderança nítida na oposição: o segundo colocado teria sido o ex-presidente Eduardo Duhalde, mas praticamente empatado com o deputado Ricardo Alfonsín. E os dois não ficaram muito distantes do governador da província de Santa Fé, o socialista Hermes Binner, a grande surpresa de ontem.
Os primeiros dados oficiais mostravam a presidente com 50,32% dos votos ¿ contra 12,92% do segundo colocado, Alfonsín.
As chamadas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) estão previstas na nova lei eleitoral, aprovada no fim de 2009 com o objetivo de que os cerca de 28 milhões de eleitores argentinos decidissem quem seriam os candidatos à Presidência e outros cargos públicos em disputa. No entanto, todos os partidos escolheram seus candidatos antes das primárias ¿ que terminaram se transformando numa espécie de consulta nacional, a única capaz de traçar um real panorama para as presidenciais.
¿ Duas coisas ficaram claras: Cristina está acima de 40% e a oposição está dividida e muito abaixo da presidente ¿ sentenciou a analista de opinião pública Graciela Romer, da Romer e Associados.
Vitória na província de Buenos Aires
Segundo ela, o desempenho de Binner é uma das principais novidades do panorama eleitoral. O governador socialista, candidato da Frente Ampla Progressista (FAP), lançou sua candidatura há poucos meses e chegou perto de Duhalde e Alfonsín ¿ até agora consideradas as figuras de frente da tropa antikirchnerista. Já a deputada Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica que, em 2007, ficou em segundo lugar com mais de quatro milhões de votos, teria protagonizado um dos maiores fracassos da oposição.
Para vencer no primeiro turno, Cristina precisa obter mais de 40% dos votos ou uma diferença acima de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Se a eleição fosse hoje, a presidente conquistaria um terceiro mandato da família Kirchner sem grandes esforços. Na província de Buenos Aires, onde vivem quase 40% dos eleitores do país, o atual governador, Daniel Scioli, aliado da presidente, ficaria em primeiro lugar. Outra boa notícia para a Casa Rosada.
Cristina votou em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, onde passou os últimos dias acompanhando seu filho mais velho, Máximo, e a nora, Rocio, que na semana passada sofreu um aborto aos três meses de gestação.
¿ (As primárias) representam um salto qualitativo em relação à participação da cidadania ¿ afirmou Cristina, antes de retornar à capital.
Mesmo antes do resultado oficial, o clima entre funcionários e aliados da Casa Rosada era de euforia. Para o chefe de gabinete Aníbal Fernández o governo obteve ¿uma vitória esmagadora¿. Os adversários de Cristina, porém, continuavam sonhando com uma eleição mais disputada.
¿ Não cantem vitória antes do tempo, ainda falta muito para outubro. A presidente pode cometer erros ¿ advertiu o peronista dissidente e candidato a governador de Buenos Aires Eduardo Amadeo, aliado de Duhalde.
Antes de votar, Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, assegurou que a corrida está apenas começando. A possibilidade de um acordo eleitoral com Duhalde para fortalecer a oposição é absolutamente inviável.
¿ Nenhum dos dois pode renunciar à candidatura, porque isso implicaria o fim de todas as candidaturas de suas listas ¿ explicou Amadeo.