Título: Hidrelétrica poderá ser fonte extra de energia
Autor: Rocha, Carla
Fonte: O Globo, 19/08/2011, Rio, p. 26

Este ano, simulações de emergência vão acontecer em dois dias

O plano também prevê ações para reduzir os impactos de um eventual acidente. Entre elas, vale destacar estudo para a implantação de uma pequena central hidrelétrica, na região de Angra dos Reis, para manter as usinas em funcionamento em caso de perda total dos 12 geradores a diesel já existentes, hipótese improvável, mas que ocorreu no Japão devido à catástrofe natural inédita.

Os custos da hidrelétrica, que ainda não estão contabilizados no orçamento do plano, ainda serão estimados. Paulo Carneiro explica que a ideia é criar quatro níveis de estágios de fornecimento de energia, que podem ser acionados de acordo com a necessidade:

- A primeira fonte seria a energia externa, à qual a central está ligada. A segunda, os geradores a diesel que já existem dentro das usinas. A terceira, grupos de geradores a diesel independentes (que ficariam em prédios diferentes dos das usinas ou em local mais alto), e a quarta uma hidrelétrica que também poderia ser uma fonte de fornecimento de água alternativa - observa Carneiro.

O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, diz que as ações da Eletronuclear seguem a orientação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para que todos os países adotem medidas para aprimorar a segurança de suas usinas para que Fukushima não se repita.

- Tudo vai depender do histórico do lugar em que as usinas estão instaladas. De acordo com cada caso, estão sendo feitas reanálises da intensidade de terremotos e de proteções contra tsunamis, por exemplo. Também estão sendo pensados sistemas de fornecimento de energia de emergência que possam entrar em ação se a rede da usina tiver problemas - explica Kuramoto. - Precisamos saber se as usinas estão suscetíveis a acidentes além da base do projeto, que foi o que aconteceu em Fukushima, que enfrentou uma tsunami muito acima de sua capacidade. Estava preparada para ondas de 5,7 metros, mas não para de 14 metros, como aconteceu.

Uma outra frente do plano vai se debruçar sobre o programa de evacuação da população das áreas urbanas próximas das usinas, em caso de acidente. Hoje a única alternativa de fuga é a Rio-Santos. Está sendo avaliada a construção de quatro píeres (Mambucaba, Praia Vermelha, Praia Brava e Frade) e ainda quadras poliesportivas que possam servir como heliportos, dentro da Zona de Planejamento de Emergência. Alémdisso, nos dias 31 deste mês e 1º de setembro será realizada uma simulação do Plano de Emergência, em Angra, pela primeira vez em dois dias, que envolverá Defesa Civil, Forças Armadas, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e o gabinete de segurança institucional da Presidência da República.