Título: Lula critica uso de algemas pela PF e elogia Dilma
Autor:
Fonte: O Globo, 13/08/2011, O País, p. 11

Ex-presidente estreou dobradinha com Haddad em São Paulo

SÃO PAULO. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva engrossou o coro das críticas aos "excessos" da Polícia Federal na Operação Voucher, que prendeu 36 pessoas, entre elas o secretário-executivo do Ministério do Turismo e políticos do PMDB. E defendeu a atuação da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção, apesar da sequência de denúncias e escândalos que atingem as pastas de aliados.

- Não é aceitável que uma pessoa que tem endereço fixo, RG e CPF seja presa como se fosse um bandido qualquer. E algemado, quase como se estivesse participando de uma exposição pública - disse o ex-presidente, em evento em São Bernardo do Campo (SP), ao ser questionado sobre reação negativa na base após a operação da polícia.

- A presidente Dilma tem de fazer o que está fazendo: mandar os órgãos de controle investigar. Ela está fazendo um excelente trabalho - declarou Lula, que participou da Feira Literária da cidade, promovida pelo prefeito Luiz Marinho (PT), ao lado do ministro da Educação, Fernando Haddad.

O evento, com ares de pré-campanha, foi a estreia da "dobradinha" Lula e Haddad na região metropolitana de São Paulo. O ex-presidente é o patrocinador da pré-candidatura do ministro à prefeitura de São Paulo, que evitou o tom de campanha e chegou até a defender a adversária interna, a senadora Marta Suplicy (PT). Questionado sobre as ligações de Marta com as denúncias de corrupção no Turismo, devido à sua relação com Mário Moyses, um dos presos na Operação Voucher, afirmou:

- Não vejo nenhuma relação. Ao contrário. Ela já havia deixado o Ministério do Turismo. Cada um deve responder pela sua gestão. Além disso, ele (Moyses) tem que ter o direito de se defender - ressaltou Haddad. Ao GLOBO, ele contou que telefonou para Marta para se solidarizar, assim que o caso surgiu no noticiário. Segundo ele, "a senadora não foge do debate".

Mais cedo, o ministro afirmou que Marta "tem total legitimidade" em suas falas à imprensa e insistiu que o debate é marcado pelo respeito. A senadora chegou a dizer em entrevista que a escolha de Lula não seria garantia de vitória na definição da candidatura do PT.

A assessoria de Haddad negou que a participação do ministro fosse uma agenda partidária e afirmou que o convite partiu da Secretaria de Educação do município, meses atrás.

- Estamos tratando de assuntos do município, não de São Paulo, mas da região metropolitana, que é afetada pelas políticas públicas da capital. O Marinho é um colega e temos uma bela parceria - disse Haddad, que acabou sendo ofuscado pela presença de Lula durante o evento.

O ministro descartou sair precocemente da pasta para se dedicar à pré-candidatura.

- A agenda do MEC é difícil. Ela me exige em Brasília. Os meus compromissos primeiros são com a presidente Dilma. Ela é uma presidente inteligente, cobra prazos e resultados. E eu deixei claro para todos os companheiros que não colocaria isso em risco.