Título: Passos: aditivos em obras vão continuar
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 18/08/2011, O País, p. 12

Do PR, que deixou a base, ministro dos Transportes afirma que fica no cargo até quando Dilma quiser

BRASÍLIA. O ministro dos Transportes, Paulo Passos, enfrentou ontem na Câmara perguntas mais duras da oposição, em especial do DEM. Negou ter conhecimento de irregularidades e anunciou que o governo continuará fazendo aditivos nas obras, se necessário. Passos chegou a ficar irritado com a insistência do DEM em colocar em dúvida seu desconhecimento das irregularidades. Um dia após o PR deixar a base, Passos disse que continua no cargo até quando a presidente Dilma Rousseff quiser, mesmo filiado ao PR.

- Houve insinuação de que teria testemunhado, visto muito pecado, e não posso referendar o que o senhor disse. Nunca fui partícipe, ouvi e nunca estive envolvido com qualquer conversa ou entendimento do qual pudesse, de longe, ter qualquer dúvida quanto à sua correção - disse Passos. - Estou hoje como ministro da presidente Dilma e estarei até quando ela quiser.

- Se o Dnit estava completamente podre, como isso podia acontecer passando ao largo do presidente do conselho do Dnit? - alfinetou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

Em resposta, Passos disse que é bem informado no geral, mas não pode ter todos os detalhes. Defendeu seu quadro técnico e lamentou a forma como vários servidores foram demitidos.

- Não concordo que o Dnit esteja completamente podre, isso é um exagero. O Dnit tem profissionais do melhor gabarito. Claro que seria ingenuidade da minha parte dizer que não há irregularidades. Mas é preciso não supervalorizar, não dar o uso político - disse, voltando a negar a necessidade de CPI.

Segundo Passos, os aditivos, apenas na primeira metade de 2011, já chegam a 550 na área de rodovias. Em todo o ano de 2010, foram 967 em rodovias:

- Mas os aditivos necessários serão feitos. Ninguém vai ter o condão de ignorar aditivos.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) foi aplaudido por alguns colegas ao perguntar por que o ministro não convenceu Dilma de que não havia problemas no setor, já que Passos fizera uma defesa dos aditivos.

O líder do PR, Lincoln Portela (MG), reclamou da forma como as demissões ocorreram nos Transportes, mas elogiou o ministro. O líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), foi o que saiu em defesa de Passos de forma mais enfática:

- A oposição quer constranger os deputados a assinarem a CPI.