Título: Um ditador com jeito de borat
Autor: González, Enric
Fonte: O Globo, 29/08/2011, O Mundo, p. 25
Sacha Baron Cohen filma sátira inspirada em Kadafi
SACHA COHEN caracterizado para o filme: discriminação sexual e falta de conhecimento do Ocidente sobre Islã
Desde anteontem, um outro Muamar Kadafi dorme em Sevilha. No seu caso, sua cabeça não está a prêmio por US$1 milhão (salvo no Kazaquistão) para rebeldes líbios, porque atrás de sua cômica barba se esconde Sacha Baron Cohen, um dos comediantes mais inteligentes do século XXI, o criador de Ali G, Bruno e Borat. Historiador formado em Cambridge, Cohen fez do escárnio selvagem uma arma antirracista. Ele filma, a partir de hoje, em Sevilha, durante três dias, na Plaza de Espanha e no aeroporto de San Pablo (transformados para a ocasião), algumas sequências de ¿Finchley dreams¿, também chamado de ¿O ditador¿. Depois, segue para Forteventura, nas Ilhas Canárias, até o dia 9.
O roteiro é secreto, ainda que, pelo apurado até agora, descreva as andanças de um tirano árabe cuja única ambição é impedir que a democracia chegue a seu país e que, após deixar um sósia em seu palácio, viaja por todo o mundo cercado de suas guardiãs virgens. Se este não é Kadafi...
Pela primeira vez, um dos filmes do londrino ¿ a quem acompanham na capital andaluza Megan Fox e Ben Kingsley ¿ é financiado por um grande estúdio de Hollywood. Cohen, de 39 anos, conseguiu o status de ¿faço o que quero¿, graças a três filmes antológicos: ¿Ali G Indahouse¿, ¿Borat: o segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão viaja à América¿, e ¿Bruno¿, protagonizados pelo trio de personagens que criou no fim dos anos 1990, na televisão britânica. O êxito de Ali G ¿ um londrino branco que diz ser rapper e por isso fala como se tivesse nascido num gueto jamaicano ¿ conseguiu que Cohen fosse fisgado pela americana HBO e gravasse ali duas temporadas do ¿Ali G Show¿, onde cresceram Bruno, um repórter austríaco especializado no mundo da moda, e Borat, o delirante jornalista do Kazaquistão (¿Meu nome é Borat Sagdiyev e sou a quarta pessoa mais popular do meu país. Gosto das boates, de pingue-pongue, de arco e flecha e de tirar fotos de mulheres fazendo suas coisas, sem que elas percebam. Gosto de mulheres louras, com experiência em arado e sem antecedentes familiares de retardamento¿, autodefinia-se).
Se Ali G se metia com o classismo, Borat com o antissemitismo e Bruno com os homofóbicos, de ¿O ditador¿ podemos esperar uma mensagem sobre a discriminação sexual e o desconhecimento que o Ocidente tem do Islã.