Título: Desertores reagem a tropas de Assad
Autor: González, Enric
Fonte: O Globo, 29/08/2011, O Mundo, p. 25
Soldados teriam se recusado a atirar em manifestantes e foram perseguidos
MANIFESTANTES CONTRA o presidente sírio, Bashar al-Assad, marcham em protesto na cidade de Maaret Harma, em Edlib, na sexta-feira
DAMASCO. Pela primeira vez na capital síria ¿ onde estão baseadas as forças de segurança do presidente Bashar al-Assad ¿ dezenas de soldados desertaram, na noite de sábado. Eles se recusaram a atirar em manifestantes que faziam um protesto pró-democracia, no bairro de Harasta, na capital. Forças leais a Assad perseguiram os desertores ¿ que fugiram para a região agrícola de al-Ghouta ¿ e houve confronto, durante toda a noite.
¿ O Exército fez disparos de armas pesadas durante toda a noite em al-Ghouta, e tinha como resposta disparos de rifles de menor potência ¿ contou uma moradora de Harasta à agência Reuters, por telefone.
Um comunicado oficial publicado na internet pelos Oficiais Livres, grupo que diz representar os militares desertores, confirmava a informação sobre a perseguição. Autoridades sírias, entretanto, negaram que as deserções tenham ocorrido.
Dois mortos por forças do ditador em Khan Sheikhoun
A Liga Árabe divulgou um comunicado ontem, dizendo que enviará seu secretário-geral, Nabil al-Araby, à Síria, para pedir o fim da repressão violenta às manifestações populares que pedem a renúncia de Assad. A ideia é também pressionar o ditador para que realize uma maior abertura democrática no país. O documento, entretanto, não especificava a data da viagem. Composta por 22 países árabes, entre eles a Síria, a Liga Árabe tem se mostrado preocupada com as ¿milhares de vítimas¿ no país, por conta da violência das forças de Assad contra os insurgentes.
Na cidade de Khan Sheikhoun, 245 quilômetros ao norte de Damasco, pelo menos duas pessoas foram mortas por membros das forças de segurança sírias. Dois ativistas locais, Tareq al-Nisr e Musaab Taha, ficaram feridos, segundo outro ativista.
¿ Foi uma tentativa de assassinato. As forças de segurança e os milicianos estão começando a assassinar alvos específicos e a prender pessoas em grande número ¿ disse o ativista Abu Wael.
Desde que começou a revolta popular na Síria, em março, já houve mais de 2 mil mortes, segundo a ONU. O país vem sendo governado pela família Assad há 41 anos.