Título: Eike vai participar de licitação de aeroportos
Autor: Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 24/08/2011, Economia, p. 26

Empresário buscará parcerias com empresas estrangeiras e quer atrair fornecedores da Petrobras para Porto do Açu

O empresário Eike Batista disse ontem que vai participar das próximas licitações de aeroportos no Brasil e que buscará parcerias com empresas internacionais para sua nova empreitada. Ele confirmou ainda que negocia com a mineradora Vale um projeto logístico para escoamento da carga a ser movimentada no Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, como publicou O GLOBO semana passada. O porto é operado pela LLX, empresa de logística do grupo de Eike.

- A gente vai participar do procedimento, sim. No mínimo, vamos provocar os outros a pagar mais - disse Eike, respondendo a perguntas de jornalistas sobre se seu grupo disputará a concessão dos aeroportos de Viracopos (Campinas), Guarulhos (São Paulo) e Brasília.

O empresário disse que não iniciou as conversas com possíveis parceiros, mas adiantou que buscará parcerias com estrangeiros. Ao justificar seu interesse pelo negócio, afirmou que seu grupo é um "mega-arbitrador de ineficiências".

- Somos um mega-arbitrador de ineficiências, é o que fazemos o tempo todo. É interessante o tráfego (de passageiros). No Brasil, os aeroportos são mal explorados - disse Eike, que participou de evento no Rio, promovido pelo grupo de líderes empresariais do Rio, o LIDE-Rio.

Eike: "minas de carvão são as minas de ouro do futuro"

O empresário também detalhou o memorando de entendimentos assinado recentemente com a Vale, para uma parceria na área logística. Segundo ele, será necessário construir um ramal ferroviário de cerca de 40 quilômetros entre o Porto do Açu e Campos, que será conectado à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA ), operada pela Vale.

- Eventualmente, vamos participar com algum investimento. Amanhã (hoje-, no fim do dia, vocês terão uma boa notícia sobre o negócio).

Eike também disse que atrairá para o Porto do Açu grandes fornecedores da Petrobras. Diante disso, o pólo automobilístico, um dos investimentos-âncora do porto e do qual faria parte a montadora Renault-Nissan, terá sua relevância reduzida.

- As empresas que já têm contratos para fornecer equipamentos (para a indústria do petróleo) estão buscando lugar para se instalar. O polo automobilístico ficou pequeno - disse Eike, sem dar detalhes das negociações com a montadora.

Indagado pela plateia, o empresário classificou as energias alternativas de "fantasia" e defendeu térmicas a carvão, chamando as minas de carvão de "minas de ouro do futuro".