Título: Recorde de público e olho na lotação máxima
Autor: Miranda, André
Fonte: O Globo, 12/09/2011, Rio, p. 14

Com aumento de vendas e maior número de visitantes da história, evento atingiu seu limite, dizem organizadores

André Miranda, Guilherme Freitas, Luiz Felipe Reis, e Michele Miranda

Com o maior público de sua história, 670 mil pessoas em 11 dias (5% a mais que em 2009), a 15ª Bienal do Livro do Rio terminou ontem com motivos para comemoração do mercado editorial, mas também com impasses para a próxima edição, que acontecerá de 5 a 15 de setembro de 2013. A maior feira de livros do país cresceu ainda mais, registrando faturamento de R$58 milhões (12% a mais que na anterior) e 2,8 milhões de exemplares vendidos (um aumento de 15%). Porém, os problemas logísticos enfrentados no feriado de 7 de setembro, quando o Riocentro recebeu o número recorde de 110 mil visitantes, sugerem que o evento pode ter atingido sua capacidade máxima.

O investimento de R$4,2 milhões na programação cultural alcançou resultados. Cerca de 18 mil pessoas participaram de algum dos eventos oficiais da Bienal, que reuniram 113 autores brasileiros e 21 estrangeiros, de nomes populares como Anne Rice, Alyson Noël, Thalita Rebouças e Eduardo Spohr a autores de prestígio como Michael Connelly, Gonçalo M. Tavares, Amitav Ghosh, Cristovão Tezza, Ferreira Gullar e Lourenço Mutarelli, entre outros. Carro-chefe da programação cultural, o Café Literário se destacou pela aposta na literatura brasileira e pelo esforço em apresentar novos autores nacionais ao grande público. Porém, a escalação de três (às vezes até quatro) convidados por mesa, e eventuais mediações inábeis, prejudicaram algumas conversas. Já a Maré de Livros, espaço infantil que apostou na interatividade para atrair jovens leitores, recebeu mais de 110 mil pessoas.

Novas regras para autores fora da programação oficial

Mas, neste ano, ninguém atraiu mais fãs do que o Padre Marcelo Rossi. Autor de "Ágape" (Globo Livros), Rossi foi escalado para visitar a Bienal na quarta-feira, em pleno feriado de 7 de setembro, e passou a semana anunciando o evento em seu programa de rádio. Com isso, o dia, que já prometia ser de Riocentro lotado, foi bastante confuso: o estacionamento de 8 mil lugares teve que ser fechado à tarde por falta de vagas disponíveis, o fornecimento de água foi prejudicado, as filas para lanchonetes e caixas eletrônicas demoravam ao menos meia hora e foi necessário paciência até mesmo para caminhar pelos três pavilhões que abrigam a Bienal. O local de autógrafos de Rossi teve que ser mudado, do estande da editora para um pavilhão vazio do Riocentro.

- A Bienal tem um limite, já estamos na nossa capacidade máxima. O que aconteceu na quarta-feira foi que se fez uma campanha muito forte no rádio, da qual não tínhamos conhecimento. Vamos ter que criar algumas regras para autores que não estão na programação oficial. Temos outros espaços no Riocentro que poderiam abrigar esse tipo de evento - disse Arthur Repsold, presidente da GL Events Brazil, holding que controla a Fagga Eventos, organizadora da Bienal em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Queda no preço médio dos livros

Além do padre, esta Bienal foi marcada por algumas estrelas cuja relação com o mundo das letras é apenas esporádica. A americana Hilary Duff, atriz e cantora de 23 anos, veio ao Rio para lançar seu romance de estreia, "Elixir" (ID Editora), o que provocou histeria entre adolescentes e uma fila imensa durante toda a tarde para conseguir um autógrafo da moça. Outro que causou alvoroço foi Ronaldinho Gaúcho, convidado na última sexta-feira para autografar os gibis da Turma da Mônica dos quais é personagem. Ronaldinho ficou uma hora e meia no Riocentro, sempre cercado por seus seguranças, e foi embora depois de assinar cem revistas, camisas ou álbuns de figurinha do Campeonato Brasileiro.

Outro breve tumulto, mas este mais bem organizado, ocorreu no dia 1º, abertura da Bienal. A presidente Dilma Rousseff veio ao Rio para apresentar o programa Livro Popular, através do qual o governo vai subsidiar a compra de livros de até R$10 por bibliotecas públicas, com o objetivo de criar um mercado para publicações populares no país. Dilma teve que lidar com uma manifestação de centenas de estudantes e professores que pediam mais investimentos em educação. O grupo foi dispersado somente após Fernando Haddad, ministro da Educação, também presente, concordar em ouvir suas reivindicações.

A discussão sobre o preço dos livros também esteve presente nos corredores do Riocentro. Segundo dados do Snel, o preço médio do livro comprado caiu de R$21,14, em 2009, para R$20,6 na edição deste ano, e 76% dos visitantes compraram exemplares. Porém, se para alguns a feira representa uma boa oportunidade, muita gente reclama e ainda acredita ser melhor comprar pela Internet.