Título: Economia voltou a crescer em julho, após recuo
Autor: Neder, Vinicius
Fonte: O Globo, 15/09/2011, Economia, p. 30
Mas índice do BC aponta desaceleração nos últimos 12 meses
BRASÍLIA. Depois de uma queda em junho, a economia voltou a crescer. Em julho, o índice criado pelo Banco Central (BC) para medir o nível de atividade subiu 0,46% em relação ao mês anterior. Mas, no acumulado dos últimos 12 meses, a tendência ainda é de desaceleração, com o índice em 4,52%, o menor nível desde abril do ano passado.
Para o BC, a economia dá sinais claros de desaceleração, e o cenário mais provável é de maior moderação daqui em diante. Segundo fontes do banco, há uma parada da economia mesmo com uma pequena recuperação imediata. Na análise dos técnicos, é possível perceber que o crescimento anualizado dos últimos três meses está em 2%, menos da metade do registrado nos três meses anteriores.
Para os economistas do BC, o auge da desaceleração será no próximo trimestre, quando a economia sentirá a alta dos juros do início do ano. Esse freio que fará com que a inflação volte para o centro da meta (4,5%) no fim de 2012.
No entanto, para o economista-chefe do Banco Espírito Santo (BES), Flávio Serrano, não há uma parada brusca da economia. Nos dados divulgados ontem, ele vê uma tendência de desaceleração menos intensa que o esperado:
- A realidade é que estamos com problemas sérios com a inflação.
A presidente Dilma Rousseff disse ontem que o governo fará um esforço para que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) cresça 4% neste ano, ou até mais. Mas o próprio governo já revisou esse número por causa da crise global, passando a 3,8%.
- Vamos fazer um esforço para chegar a quatro, quatro e pouco. Este trimestre que fechou, nós já vimos que ele foi 0,8. O terceiro ainda vai ser um pouco baixo e nós contamos com o último trimestre para dar um ressurgimento - afirmou Dilma.
Dilma afirmou que o governo está com os investimentos em dia, o que possibilitará o crescimento. E disse não acreditar que o país seja tragado pela crise global. (Gabriela Valente e Chico de Gois)