Título: TV reduz taxa de fertilidade da mulher no Brasil
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 20/09/2011, O País, p. 9
Famílias menores nas novelas se tornam exemplo, diz Bird
BRASÍLIA. O grande número de aparelhos de televisão conectados no país e o especial apreço dos brasileiros pelas novelas estão por trás de mudanças importantes no comportamento da sociedade, de acordo com o relatório "Igualdade de gênero e desenvolvimento 2012", do Banco Mundial (Bird) . O hábito reduziu a taxa de fertilidade das brasileiras na mesma proporção que o fariam dois anos a mais de estudo para a população. Segundo o documento, não são muitas as experiências que indicam que políticas específicas de governo tenham alcance tão amplo.
O fenômeno se dá, sobretudo, entre os grupos de mulheres de classes sociais mais baixas. Um dos motivos para que as mulheres tivessem menos filhos teria sido, em boa medida, o fato de os espectadores estarem se mirando no exemplo das famílias menos numerosas dos folhetins. Resultado semelhante seria alcançado com o aumento de um médico ou enfermeira para cada mil habitantes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 95,1% dos domicílios brasileiros possuem televisão. Segundo o Bird, "a presença do sinal da Globo (canal que oferece muitas novelas) levou a uma taxa menor de fertilidade, medida pelo número de nascimentos para mulheres com idades de 15 a 49 anos".
O organismo internacional afirma que o fenômeno brasileiro comprova que o acesso aos meios de comunicação ajuda a mudar o comportamento da sociedade e o quadro das desigualdades não só nos centros urbanos, mas também nas zonas rurais.