Título: Superávit fiscal de agosto é o pior no mês em 8 anos
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 30/09/2011, Economia, p. 29
Apesar de positivo em R$2,49 bi, fica muito aquém dos R$4 bi de igual período de 2010
BRASÍLIA. O superávit primário (economia para pagamento de juros da dívida) do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) fechou agosto em R$2,490 bilhões. Apesar de positivo, foi o pior resultado para o período nos últimos oito anos e bem abaixo dos R$4 bilhões obtidos em igual mês de 2010. Entre janeiro e agosto, no entanto, já foram economizados R$69,843 bilhões - o equivalente a 75% da meta para 2011, que é de R$91,8 bilhões.
O Tesouro Nacional contribuiu para o desempenho de agosto com superávit de R$6,474 bilhões. A Previdência teve déficit de R$3,926 bilhões e o BC, saldo negativo de R$58,3 milhões.
- Ter um agosto menor, depois de um julho muito alto, é normal - disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, explicando que fatores sazonais, como a transferência a estados e municípios, influenciaram o resultado.
Mas o que chama a atenção nas contas que compõem o superávit primário é o crescimento expressivo das receitas líquidas (descontados repasses estaduais e municipais), que somaram 18,8% entre janeiro e agosto. Boa parte dessa arrecadação está sendo usada para cobrir as despesas, que continuam subindo (10,6%), mas em ritmo menor que em 2010.
Enquanto os gastos com custeio da máquina subiram 11,8% nos oito primeiros meses deste ano frente a igual período de 2010, os investimentos, importantes para melhorar a infraestrutura do país, subiram apenas 0,2%, somando R$28,02 bilhões.
- O investimento tem tido um desempenho abaixo do esperado - admitiu o secretário.
Segundo ele, além de base muito alta (2010 foi ano eleitoral, com investimentos concentrados no primeiro semestre), a aplicação desses recursos foi influenciada por outros fatores, como ritmo menor no andamento das obras, reflexo da atuação dos órgãos de controle (Tribunal de Contas da União) e de mudanças na equipe do governo.
- Todos esses fenômenos acabam contribuindo - disse.
Com mais receitas e menos investimentos, ainda que as despesas cresçam, o governo cumprirá a meta de superávit primário, depois de dois anos consecutivos em que precisou recorrer a subterfúgios, como a capitalização da Petrobras.