Título: Ana Arraes derrota Aldo e é eleita para o TCU
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 22/09/2011, O País, p. 11
Após vitória, ministra critica paralisações de obras impostas por órgãos de controle como o que passa a integrar
BRASÍLIA. Com cabos eleitorais de peso, como o filho Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, e o ex-presidente Lula, a deputada Ana Arraes (PSB-PE) foi eleita ontem, em votação secreta, ministra do Tribunal de Contas da União com 222 votos. Atendendo a Lula, cerca de 70 dos 88 deputados do PT teriam votado com Ana Arraes, segundo estimativas dos próprios petistas. Adversários na disputa lançaram, nos bastidores, suspeitas de uso da máquina pública a seu favor. Logo após a vitória, a nova ministra adotou, em entrevista, uma postura crítica em relação à paralisação de obras determinada por órgãos de controle, na mesma linha do discurso de Lula.
Ana Arraes, deputada de segundo mandato, derrotou com margem segura o veterano Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que está no sexto mandato na Câmara e já foi presidente da Casa. Aldo obteve 149 votos. A vitória de Ana Arraes foi interpretada no meio político como uma mostra do prestígio pessoal de Eduardo Campos, que tenta se consolidar para disputas políticas no plano nacional. A nova ministra substituirá o ex-deputado pelo PSDB do Ceará Ubiratan Aguiar, que se aposentou.
Sobre uma das principais funções do TCU, que é a fiscalização de obras públicas, Ana Arraes disse que prefere evitar que os empreendimentos sejam interrompidos, e defendeu cautela por parte do tribunal nos julgamentos. Segundo a deputada, o TCU deve fazer uma fiscalização paralela à obra, permitindo que ela não seja paralisada e, simultaneamente, corrigindo as falhas.
- Quando não paralisa, não causa prejuízo financeiro, não causa prejuízo social. A paralisação, às vezes, sai mais cara - disse Ana Arraes.
O estado de Pernambuco teve obras importantes paralisadas há dois anos, inclusive a refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, por conta de irregularidades apontadas pelo TCU. Ela defendeu zelo por parte do órgão para evitar julgamentos precipitados.
- O papel fundamental do TCU é cuidar do dinheiro público, por isso julgamentos do TCU têm que ser feitos com muito zelo. O julgamento precipitado macula. É importante ser imparcial, é importante buscar a justiça, é importante ter cuidado com a ética e com probidade - ressaltou.
Adversários acusam uso da máquina pública
A deputada disse que já esperava a vitória e rebateu as críticas de uso da máquina do governo de Pernambuco, já que o filho e até secretários do estado estavam desde terça-feira em Brasília em campanha.
- A importância do Eduardo Campos na minha vida, e a minha na dele, é enorme. Muito maior do que qualquer notícia de jornal. O trabalho foi feito com muita gente. Eu fiz campanha respeitando os meus adversários. Eu espero que meus colegas respeitem a minha vitória. Não desmereço nenhum dos meus adversários - afirmou Ana Arraes.
Ontem, vários deputados e candidatos derrotados acusaram o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, do PSB pernambucano, de ter prometido liberação de emendas ao mesmo tempo em que fazia campanha para Ana Arraes.
- O jogo é pesado. O Ministério da Integração (Nacional) ofereceu verba para deputados do PMDB. É preciso apurar isso - reagiu o deputado Átila Lins (PMDB-AM), que ficou em terceiro lugar, com 47 votos.
O governador Eduardo Campos não apareceu na Câmara. Ficou num hotel em Brasília nos últimos dois dias articulando intensamente a campanha da mãe. Na hora do resultado, estava com o ex-presidente Lula e com o presidente em exercício, Michel Temer, no Palácio do Jaburu. Ele e Lula telefonaram para dar os parabéns para Ana Arraes.
Na noite anterior, Eduardo Campos conseguiu retirar mais uma candidatura para apoiar a mãe: a do deputado Vilson Covatti (PP-RS). A candidatura dela também teve apoio de setores do PSD e do PSDB. Semana passada, com a renúncia do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), Ana já havia garantido apoio do PTB.
- Jogamos limpo. Tivemos o apoio do presidente Lula e do PSDB. Até porque somos aliados dos tucanos em várias cidades - disse Eduardo Campos, reagindo às críticas.
Aldo: "O sapo pula. A cobra se arrasta"
O candidato derrotado Aldo Rebelo também foi acusado por aliados de Ana Arraes de fazer uma campanha agressiva. Na véspera, conseguiu o apoio dos ruralistas num encontro na Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Ele chegou a pedir ao vice Michel Temer e ao líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), a retirada da candidatura do peemedebista Átila Lins.
- Nunca reclamei da vida. O sapo pula. A cobra se arrasta. Cada um faz do jeito que pode - disse Aldo.