Título: Mensagem do Brasil deveria ser por volta das negociações
Autor:
Fonte: O Globo, 21/09/2011, O Mundo, p. 28

Israel tentou mudar a posição dos países da América Latina, mas parece que não deu certo...

MARK REGEV: Sim, mas temos um relacionamento histórico com a América Latina. A maior parte dos países da região apoiou a criação do Estado judeu, em 1947, principalmente o Brasil e, desde então, temos relações de amizade e colaboração. Não perdemos as esperanças de que os países latinos não apoiem esse passo unilateral radical que só será um obstáculo às chances de acordo.

Mas se apoiarem, haverá algum corte de relações entre Israel e esses países?

REGEV: Só posso dizer que não perdemos as esperanças. Há, neste momento, negociações de bastidores entre nós e os principais países da região. Mostraremos nosso lado até o último segundo.

A presidente Dilma Rousseff abrirá a reunião com um discurso em defesa da Palestina. O que Netanyahu acha disso?

REGEV: O premier está a par do discurso. Quero deixar uma coisa muito clara: Israel não é contra a criação de um Estado palestino. Queremos um Estado palestino ao nosso lado. A pergunta é se, apelando à ONU, esse objetivo será alcançado.

O discurso de Dilma passará uma mensagem errada?

REGEV: A mensagem que países como o Brasil deveriam passar é a de que chegou a hora de voltar à mesa de negociações. Sabemos que os palestinos têm maioria automática na Assembleia Geral. É como um cheque em branco de países que os apoiam incondicionalmente. E o que você faz com um cheque em branco? Sai gastando, sem se preocupar com a melhor maneira de gastar? Essa é a mensagem que a ONU quer passar ao mundo? Não creio. (D.K.)