Título: Dólar tem 3ª alta e vai a R$1,789
Autor: Eichenberg, Fernando
Fonte: O Globo, 21/09/2011, Economia, p. 23

É o maior nível desde julho de 2010, com pressão de apostas no mercado futuro

CASA DE câmbio no Centro do Rio: dólar turismo fechou a R$1,89

O dólar comercial registrou ontem a terceira alta seguida, subindo 0,50%, a R$R$1,789, maior nível desde 1º de julho do ano passado. Com isso, o ganho acumulado foi a 12,03% neste mês e a 7,38% no ano. O dólar turismo fechou estável em R$1,89 no Rio de Janeiro. Segundo especialistas, as condições do mercado seguiram semelhantes às dos últimos dias, com investidores mudando apostas no mercado futuro. Já na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, índice de referência, fechou em queda de 1,27%, aos 56.378 pontos, após inverter a tendência diante de preocupações sobre a dívida da Grécia.

A atuação dos estrangeiros no mercado futuro vem ajudando a puxar o dólar para cima no mercado à vista. Anteontem, último dado disponível da BM&FBovespa, a diferença entre contratos de venda (que apostam na queda do dólar) e os de compra (que apostam na alta) nas mãos dos estrangeiros caiu US$2,1 bilhões, em relação a sexta passada. Os contratos de venda superaram os de compra em US$9,07 bilhões (incluindo dólar futuro e cupom cambial) . No fim de julho, a diferença era de US$20,65 bilhões.

Ontem, o dia foi instável. Na máxima, a moeda americana chegou a R$1,803, alta de 1,29%. Na mínima, caiu 0,67%.

- As posições especulativas que apostam na alta do dólar fazem a diferença - avalia Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC/Liquidez.

Para a economista-chefe do BNY Mellon ARX, Solange Srour, as apostas de alta vão continuar até o risco da crise financeira na Europa sair de cena.

No mercado acionário, a Bovespa seguiu a inversão no fim do pregão em Nova York, onde o índice Dow Jones reduziu o ganho para 0,07%, o S&P 500 caiu 0,17%, e o Nasdaq, 0,86%.

Investidores iniciaram os negócios de olho no rebaixamento do rating da dívida da Itália, mas as expectativas positivas em torno da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) prevaleciam. O cenário mudou com a notícia de que representantes da União Europeia (UE), do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) voltarão à Grécia semana que vem para completar sua revisão da situação econômica grega. Apesar de analistas verem o anúncio como um avanço nas negociações, investidores reagiram mal, já que significa mais demora na ajuda.

As bolsas europeias fecharam antes de novas especulações sobre as negociações na Grécia e registraram altas. Londres subiu 1,98%, Paris avançou 1,50%, e Frankfurt teve alta de 2,88%. Mesmo com o rebaixamento da nota de crédito da Itália, Milão avançou 1,91%.

- Com investidores sem certeza de que posição tomar, os mercados ficam à mercê das notícias - diz o gestor da Yield Capital, Hersz Ferman.

Apenas 16 ações em 68 ativos do Ibovespa tiveram alta, Vale PNA (preferencial, sem voto) entre elas, subindo 0,96%, a R$44. Petrobras PN chegou a subir, mas fechou em queda de 0,96%, a R$20,60.