Título: Senador quer uso de chicote em presos
Autor:
Fonte: O Globo, 07/10/2011, O País, p. 4

Quem se negar a trabalhar deve ser alvo da chibata, defende Reditário Cassol

BRASÍLIA. O senador Reditário Cassol (PP-RO) surpreendeu ontem seu colega Eduardo Suplicy (PT-SP) ao defender, na tribuna do Senado, o uso do chicote em presidiários que se recusarem a trabalhar na cadeia. O rompante do parlamentar aconteceu em meio a um pronunciamento no qual manifestou disposição de apresentar um projeto de lei para acabar com o que classificou de "benesses e mordomias" concedidas pela atual legislação penal a presidiários.

Cassol iniciou seu discurso criticando o auxílio-reclusão, concedido a dependentes de segurados recolhidos à prisão:

- É um absurdo que a família de um pai morto pelo bandido fique desamparada, enquanto a família do preso recebe o auxílio previdenciário de R$862,60. O condenado por crime grave deve sustentar os dependentes com o trabalho nas cadeias.

E defendeu a mudança do Código Penal para que o trabalho seja obrigatório nos presídios:

- Temos que modificar a lei, de modo que venha favorecer as famílias honestas, que pagam imposto para manter o Brasil de pé, e não criar facilidade para pilantra, vagabundo, sem-vergonha, que devia estar atrás da grade e trabalhar, e quando não trabalhasse, o chicote, que nem antigamente, voltar.

Suplicy pediu um aparte e aproveitou para falar, como faz há anos, sobre a Renda Básica da Cidadania, de sua autoria.

- Posso compreender a sua indignação, mas de maneira alguma aprovaria a utilização do chicote, porque seria uma volta à Idade Média. Mais eficaz será instituirmos no Brasil a Renda Básica de Cidadania.