Título: Em frente ao Congresso, até vassouras da faxina são roubadas
Autor: Weber, Demétrio
Fonte: O Globo, 29/09/2011, O País, p. 9
Símbolos do movimento anticorrupção, peças são levadas por funcionários dos ministérios, ambulantes e flanelinhas
BRASÍLIA. Um protesto contra a corrupção realizado ontem na frente do Congresso terminou com o furto de cerca de 50 das 594 vassouras usadas como símbolo da manifestação. A maioria desapareceu quando os participantes foram recebidos, ainda do lado de fora, por dez parlamentares - 1,7% do total. Funcionários dos ministérios, ambulantes e flanelinhas aproveitaram o descuido e levaram as vassouras. Idealizador do ato, o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, disse que o episódio revela que o problema é cultural:
- Temos que combater a corrupção no Parlamento, no Judiciário, no Executivo e ensinar na sala de aula. O cidadão, muitas vezes, não consegue ver o link entre esses pequenos gestos e os grandes atos de corrupção - disse Costa.
O grupo de 30 manifestantes pretendia distribuir as 594 vassouras a cada um dos 81 senadores e 513 deputados, mas não pôde entrar no Congresso. Um dos organizadores, o auditor do TCU Henrique Ziller, contou que uma vassoura foi levada antes mesmo da reunião com os parlamentares:
- Um sujeito que tirou a vassoura e ficou ali varrendo. De repente, foi embora, levando a vassoura. Acho que caminhou na direção do Ministério da Justiça.
Aos 49 anos, Costa é pastor protestante, formado em teologia e fundador do Rio de Paz, que, desde 2007, promove atos contra a violência. A nova bandeira é a luta contra a corrupção, com ênfase no fim do voto secreto e a defesa da Lei da Ficha Limpa:
- Corrupção mata. Na ponta, é uma forma de homicídio. É gente morrendo em filas de hospitais, policiais mal remunerados.
A segurança foi reforçada na frente do Congresso. Três viaturas da Polícia Legislativa e um ônibus com cerca de 20 PMs também estavam de prontidão. Segundo a Polícia Legislativa, os manifestantes não pediram autorização para entrar. Mas Costa e Ziller afirmaram que assessores parlamentares intermediaram o diálogo e disseram que o acesso não seria permitido.
No fim da tarde, os dois receberam permissão para ir ao gabinete do senador Pedro Simon (PMDB-RS), a quem entregaram uma vassoura. Simon criticou a restrição ao ingresso de manifestantes. Sobre o motivo da proibição, brincou:
- O que eu acho mesmo eu não vou dizer. Mas foi um equívoco muito sério. Fica mal para o Congresso.