Título: Ministério tem R$1,4 bi previsto para investimento
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 09/10/2011, O País, p. 13

Orçamento da pasta é engordado com as emendas parlamentares

BRASÍLIA. Diante da movimentação nos bastidores para desestablizar o ministro Orlando Silva, o PCdoB redobrou a vigilância. Não por acaso. O "valor de mercado" do antes desprezado Ministério do Esporte é percebido pelos políticos no detalhamento do seu orçamento.

Do total previsto para este ano, R$97 milhões são gastos com pessoal e outros R$869 milhões com custeio. A maior parte, R$1,41 bilhão, será destinada a investimentos - ou seja, para cobrir as centenas de emendas parlamentares que turbinaram as obras e projetos da pasta. Todas elas, para usar um jargão dos políticos, "com grande capilaridade eleitoral".

- O Ministério do Esporte foi dado ao PCdoB porque era insignificante. Essa pasta tem "o antes e o depois" da nossa gestão. Seria interessante que os demais partidos pegassem os respectivos ministérios e fizessem o mesmo - diz a a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC).

Orlando Silva, diplomático e cauteloso, disse ao GLOBO não acreditar na cobiça de companheiros do governo:

- Não me considero alvo de aliados. Pelo contrário. Considero-me prestigiado pela base. Não vejo o Ministério do Esporte como alvo de cobiça dos partidos, até porque recebemos emendas de todos os aliados. Agora, essa visibilidade mostra que o trabalho da nossa equipe tem tido resultado. Temos uma presidente (Dilma) muito criteriosa na gestão. E tentamos agir nessa linha.

Dilma preferia deputada no lugar de Orlando Silva

A ação dos comunistas para proteger seu ministro tem surtido efeito. Após forte resistência da própria presidente Dilma Rousseff em mantê-lo no cargo, ela passou a dar demonstrações de prestígio do ministro. Na transição de governo, Dilma deixou claro que preferia nomear para o Esporte a deputada e ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PCdoB-PE). Mas o partido resistiu e conseguiu manter Orlando, para contrariedade da presidente.

Por causa disso, nos primeiros meses de governo, Orlando perdeu o prestígio que tinha no Planalto durante o governo Lula. Aos poucos, recuperou espaço. Com certos limites, no entando. Passou a ser o coordenador do GCOPA (Comitê Gestor da Copa 2014), mas Dilma designou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para ser os "olhos dela" nesse grupo de trabalho.

Também muito diplomática, Gleisi tem sido muito cuidadosa com Orlando Silva. Diante de boatos sobre "intervenção do Planalto no setor", ela telefonou para o colega e disse: "Não quero sua pasta. Estou aqui para somar. O responsável é você".

Na semana passada, na viagem para Bruxelas, Dilma também o prestigiou, ao determinar que ele falasse pelo governo, depois da reunião com o secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, sobre os polêmicos pontos da Lei Geral da Copa.