Título: No interior do Piauí, bebida em troca de votos
Autor: Remígio, Marcelo
Fonte: O Globo, 11/10/2011, O País, p. 11
Prefeito foi cassado ontem; estado teve 51 gestores afastados
TERESINA. Primeiro no ranking da lista de cassações, o estado do Piauí cassou ontem mais um prefeito, somando agora 51 gestores municipais afastados. Inácio Batista de Carvalho (PTB), que governava Santo Inácio do Piauí, cidade de 3,7 mil habitantes distante 413 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) sob a acusação de distribuir bebidas alcoólicas em comícios em troca de votos.
Santo Inácio do Piauí é mais um exemplo de cidade nordestina com baixo IDH e posição nada confortável no Mapa da Pobreza e da Desigualdade. No município, 49% das pessoas vivem em condição de pobreza. A cidade também está entre as cem com pior IDH do país.
Além de cassar Inácio Batista de Carvalho, o Tribunal Regional Eleitoral ainda decidiu que acontecerão novas eleições ainda este ano. De acordo com o tribunal, o segundo colocado entre os que disputaram as eleições - retirada a votação do prefeito cassado - não atingiu 50% dos votos válidos.
Prefeito e vice foram acusados de comprar votos
O ex-prefeito Inácio Batista foi condenado por compra de votos, abuso do poder político e econômico. Ele foi acusado de distribuir bebidas alcoólicas durante comício, além de demitir servidores da prefeitura que se negaram a apoiar sua reeleição. O vice de Inácio Batista, Auro Aparecido de Carvalho, também perdeu o mandato. A ação que levou à cassação de ambos os políticos foi impetrada pelo adversário Amaral de Araújo Moura Jesuíno (PPS), que ficou em segundo lugar nas eleições de 2008.
Além de Santo Inácio, tiveram prefeitos cassados no Piauí Guaribas, Novo Santo Antônio, Morro do Chapéu, São Francisco e São João do Arraial, todos municípios com baixos índices de IDH.
Casos de improbidade lideram as cassações
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios apontou que 38,1% dos casos de prefeitos cassados foram motivados por improbidade administrativa e, em 36%,9%, por infrações à legislação eleitoral.
Entre 2005 e 2008, período do mandato anterior, foram cassados 296 gestores. Para a confederação, a marca deverá ser ultrapassada nesta legislatura, que terminará em dezembro de 2012. A falta de qualificação dos gestores é apontada como uma das razões para o alto número de prefeitos cassados.
*Especial para O GLOBO