Título: Correios prometem regularizar em dez dias entrega de 184 milhões de cartas
Autor: Vasconcelos, Adriana; Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 14/10/2011, Economia, p. 27
Federação dos trabalhadores, porém, diz que volume parado chega a 300 milhões
BRASÍLIA, SÃO PAULO, BE.LO HORIZONTE e PORTO ALEGRE. Os Correios informaram ontem que 96% do efetivo retornaram ao trabalho a partir do primeiro minuto da quinta-feira, conforme determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julgou o dissídio coletivo da categoria na última terça-feira. Segundo a estatal, os serviços de entrega só estarão normalizados daqui a sete a dez dias, quando deverão deixar os postos da empresa as 184 milhões de cartas e encomendas retidas devido à paralisação de quase um mês.
Segundo a estatal, os serviços de entrega rápida - Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta - serão paulatinamente normalizados e devem estar totalmente restabelecidos até o dia 24. Permanecem os mutirões de fim de semana. Já José Rivaldo da Silva, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect), afirmou que a regularização deve demorar pelo menos 15 dias. Ele disse ainda que o número de cartas acumuladas está subestimado:
- Tem muita correspondência parada. Entregamos por dia 38 milhões de objetos. Na minha avaliação, o número de correspondência sem entregar passa de 300 milhões, quase o dobro do que os Correios informaram.
Os trabalhadores dos Correios de São José do Rio Preto e Campinas, no interior paulista, que ameaçavam continuar em greve, voltam hoje a trabalhar. A decisão foi tomada em assembleias na tarde de ontem. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos (ECT) de São José do Rio Preto, a assembleia não ocorreu antes por causa do feriado de quarta-feira.
Em Minas Gerais, os grevistas concordaram, em assembleia realizada na tarde de ontem, em encerrar a paralisação. O estado era o único que resistia à orientação da Fentect de retorno imediato ao trabalho. Mas eles mantêm o estado de greve por rejeitar os termos da decisão do TST, que autorizou o desconto na folha salarial equivalente a sete dias de paralisação e a compensação dos 21 dias restantes com trabalho extra nos fins de semana.
No Rio Grande do Sul, os sete mil funcionários dos Correios voltaram a trabalhar no primeiro minuto de ontem, por orientação do sindicato local. O estado foi um dos últimos a optar pelo retorno à atividade. Se não o fizesse, o sindicato teria de pagar multa de R$50 mil por dia.
Já a greve dos bancários prossegue: terminou sem acordo a negociação entre banqueiros e trabalhadores, que recomeçou ontem. Haverá uma nova rodada hoje, a partir das 10h.
COLABORARAM Thiago Herdy e Naira Hofmeister, especial para O GLOBO