Título: Lobista acusado de extorsão é preso
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 22/10/2011, O País, p. 14
Para conseguir dinheiro, ele teria fraudado assinaturas de políticos e empresários
BELO HORIZONTE. O lobista Nilton Antônio Monteiro foi preso na noite de anteontem, em Belo Horizonte, acusado de fraudar documentos e assinaturas para tentar extorquir dinheiro de empresários e políticos. Monteiro é apontado como um dos autores da chamada "lista de Furnas", documento que relacionava políticos de diferentes partidos que teriam recebido recursos da estatal para a campanha eleitoral de 2002 e cuja autenticidade sempre foi questionada pelos citados.
Segundo a polícia, o lobista se negou a prestar informações em depoimento na manhã de ontem, sob a alegação de que falaria apenas em juízo. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa, onde esperava apreender computadores e documentos supostamente relacionados às extorsões. Monteiro responderá por estelionato, falsificação de documentos e formação de quadrilha.
- Ele forjava documentos e assinaturas com confissões de dívidas de consultoria e depois entrava com processo na Justiça para cobrar os valores das vítimas - disse o chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil mineira, o delegado Márcio Simões Nabak, que comanda a investigação.
Monteiro divulgou a lista de Furnas em meio às investigações do valerioduto tucano, esquema de caixa dois na campanha à reeleição, em 1998, do então governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). O tucano é um dos políticos que teriam sido extorquidos pelo lobista, de acordo com a polícia mineira, em função de uma suposta dívida de R$650 mil.
Monteiro cobra R$17 milhões de secretário mineiro
Em documentos semelhantes, Monteiro tentava cobrar valores de outros políticos, como o atual secretário de Estado de Minas Gerais, Danilo de Castro, no valor de R$17,8 milhões; o antigo aliado e atualmente um dos seus principais desafetos, o ex-secretário de governo Cláudio Mourão (R$1,1 milhão); além de empresários e donos de veículos de comunicação.
Segundo a Polícia Civil, a atuação criminosa de Monteiro teria sido comprovada em função de uma suposta dívida de R$3 milhões com o advogado Carlos Felipe Amodeo, que ficou para seus herdeiros e está na Justiça. De acordo com os policiais, Amodeo estava internado na UTI de um hospital, com câncer terminal, na data em que teria assinado o documento da dívida com o lobista. A perícia técnica também teria atestado a falsidade do documento.
À polícia, todas as vítimas negaram ter realizado negócios com Monteiro, apesar de ele ter trabalhado em campanhas eleitorais do PSDB mineiro. A conivência de funcionários de cartórios em Minas, Rio e Espírito Santo é investigada pela polícia e pela corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Uma pessoa foi presa no Espírito Santo e outra ainda era procurada na tarde de ontem.