Título: No PT, expectativa é por desistência
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 02/11/2011, O País, p. 10

Um apelo da presidente da República tem muita força, dizem petistas

SÃO PAULO. O apelo da presidente Dilma Rousseff para que Marta Suplicy abdique de disputar o direito de ser candidata do PT à prefeitura de São Paulo gerou uma expectativa grande entre os integrantes do partido de que a senadora venha a anunciar amanhã a sua desistência.

Para o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão (SP), o apelo tem impacto.

- Imagino que um apelo da presidenta tem muita força, muito impacto - disse o petista, em entrevista na sede do partido.

O presidente municipal do PT em São Paulo, Antonio Donato, disse que "o pedido de uma presidenta precisa ser levado muito em conta".

- Mas quero ressaltar que a senadora Marta tem todas as condições de ser candidata, e a decisão será dela - afirmou.

Falcão, assim como Dilma, destacou a importância de Marta no Senado:

- Acho que a presidenta Dilma fez o que achou que era mais conveniente, que foi pedir que Marta continue a desempenhar o papel importante que tem no Senado, como vice-presidente.

Ele negou que tenha feito pedido semelhante à senadora e lembrou que há outros pré-candidatos. No entanto, mostrou apostar no ministro da Educação, Fernando Haddad:

- Tudo indica que ele será o nosso candidato.

Para Falcão, o apoio recebido por Haddad da maioria dos vereadores e de outras lideranças do PT indica uma possível vitória em eventual prévia

- Haddad tem o apoio da maior parte dos vereadores e das principais lideranças políticas da cidade, meio que prenunciando um resultado.

Marta, que não deu expediente ontem em Brasília, manteve o silêncio. Segundo sua assessoria de imprensa, ela estava descansando fora de São Paulo.

O PT encerra no próximo fim de semana a série de 33 encontros com os cinco pré-candidatos a prefeito de São Paulo. Mesmo que Marta desista da disputa, são grandes as chances de prévias. O senador Eduardo Suplicy, um dos pré-candidatos, disse ontem que não tem planos de se retirar:

- A presidenta Dilma e o presidente Lula precisam me explicar por que eu, com 31 anos de PT, deveria abrir mão.

A mesma posição foi tomada pelo deputado Carlos Zarattini.

- Vou continuar- disse.