Título: UE quer rapidez na ampliação de fundo de resgate
Autor: Do El País
Fonte: O Globo, 04/11/2011, Economia, p. 23
Novo presidente do BCE estreia com corte de surpresa da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 1,25%
CANNES, Paris, e FRANKFURT. Os quatro líderes dos países da zona do euro que participam do G-20 - o francês Nicolas Sarkozy, a alemã Angela Merkel, o italiano Silvio Berlusconi, e o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero - concordaram ontem em Cannes, após uma reunião paralela ao encontro do G-20, em acelerar a aplicação das medidas acertadas pelos líderes da zona do euro na reunião de cúpula do dia 27 de outubro para proteger o euro e os países do bloco de um contágio da crise grega.
Concretamente, trata-se de agilizar o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), de forma que sua capacidade de financiamento salte até 1 trilhão, além de flexibilizar seu financiamento, para que o fundo se converta em uma verdadeira agência de investimentos e possa comprar bônus de dívida soberana, como hoje já faz o Banco Central Europeu (BCE).
Em reunião paralela, líderes tentam evitar efeito grego
A blindagem é uma forma concreta de os líderes europeus se protegerem do pior dos cenários possíveis: uma saída traumática da Grécia do grupo do euro ou um prolongamento da atual situação de inceterzas. A reunião foi convocada na quarta-feira à noite por Sarkozy e durou mais que o previsto, coincidindo com o início formal da reunião de cúpula do G-20.
O encontro - do qual também participaram os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia, Herman Van Rompuy e José Manuel Durão Barroso, respectivamente, assim como a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde - esteve dominado por rumores de Atenas sobre uma possível queda do governo de Papandreou. À espera de informações mais claras sobre a crise política grega, a minicúpula do grupo europeu se concentrou em tomar medidas positivas para limitar o máximo possível o efeito de contágio.
Para mais que duplicar os atuais 440 bilhões em créditos do Feef - em parte já desembolsados nos resgates de Grécia, Irlanda e Portugal - os países europeus contam com a participação de investidores privados e de fundos soberanos de países emergentes. O diretor responsável pelo Feef, o alemão Klaus Regling, fez recentemente um giro por Japão e China para tentar captar recursos. Os dois países, no entanto, anunciaram que preferem investir por meio do FMI em vez de fazê-lo diretamente em bônus europeus.
Estava previsto que a implementação acelerada das iniciativas acertadas na cúpula do dia 27 de outubro, com exceção da ajuda à Grécia - suspensa até que a crise política provocada pela convocação do referendo se esclareça -, seria discutida ainda ontem em uma reunião de ministros de Finanças de França e Alemanha com o comissário europeu, Olli Rehn, e na segunda-feira, no Ecofin - o grupo de ministros de Finanças da União Europeia (UE).
Fontes do governo espanhol confirmaram que o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, apesar de sua proximidade com o premier grego, Georges Papandreou, concordou com a suspensão do pagamento da sexta parcela da ajuda à Grécia, de 8 bilhões, que seria efetuado este mês. Na microreunião dos quatro líderes europeus, segundo as mesmas fontes, não foi abordada a situação da Espanha, mas discutiu-se a Itália, que está no olho do furacão, pelos sucessivos atrasos na adoção das medidas de austeridade prometidas pelo premier italiano, Silvio Berlusconi.
Enquanto os líderes de Alemanha, França, Espanha e Itália acertavam a aceleração das medidas de proteção ao euro, o Banco Central Europeu (BCE) marcou a estreia de seu novo presidente, o italiano Mario Draghi, com uma surpreendente redução de juros, apesar da inflação na zona do euro. A autoridade monetária do bloco cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1,25%. Draghi disse que a zona do euro pode viver uma "recessão leve" nos últimos meses de 2011.
Novo presidente do BCE não sinaliza compra de bônus
A decisão de cortar as taxas veio apesar de a inflação nos 17 países da zona do euro ter alcançado 3% pelo segundo mês consecutivo em outubro, bem acima da meta do BCE de pouco menos de 2%. Draghi disse que o BCE espera que a inflação caia abaixo de 2% em 2012.
O italiano assumiu o BCE num momento em que, além da Grécia, a zona do euro se vê ameaçada pela apatia política na Itália, seu país de origem. Apesar disso, ele não se comprometeu a intensificar o programa do banco central de compra de títulos para apoiar países como Itália e Espanha.
- O que estamos observando agora é crescimento lento em direção a uma recessão leve no fim do ano - disse Draghi em entrevista coletiva. - A significativa revisão de queda das previsões e projeções para o crescimento médio do PIB (Produto Interno Bruto) real em 2012 são muito prováveis.
(*) Com agências internacionais