Título: Estatal pressiona por preço maior dos combustíveis
Autor: Beck, Martha; Bôas, Bruno Villas
Fonte: O Globo, 29/10/2011, Economia, p. 35

Diferença fez empresa deixar de ganhar R$4 bi este ano

BRASÍLIA e RIO. A Petrobras já vinha pressionando o Ministério da Fazenda por um reajuste dos preços dos combustíveis e já havia apresentado ao Ministério da Fazenda a proposta de reduzir a Cide (imposto que incide sobre combustíveis) como forma de compensar essa elevação. Segundo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a estatal deixou de ganhar cerca de R$4 bilhões de janeiro a outubro, ao manter o preço da gasolina inalterado nos postos, ao mesmo tempo em que importava o combustível por um preço maior no mercado internacional.

Pires lembra que a gasolina está com os preços congelados desde 2009. Nos últimos dois anos, houve forte demanda pelo combustível no país (uma vez que a safra da cana encolheu e o etanol encareceu), obrigando a Petrobras a importar o produto. Em 2010, por exemplo, a estatal comprou uma média de nove mil barris por dia de outros países. Já este ano, o número saltou para 39 mil barris diários:

- A Petrobras importa a gasolina a um valor mais caro do que cobra no mercado interno. Só de janeiro a setembro de 2011, a empresa perdeu R$4 bilhões - explicou Pires.

Com a redução da Cide, a Petrobras vai repor a metade das perdas que registrou com interferência do governo sobre sua política de preços neste ano. Uma possível redução da Cide para beneficiar a Petrobras estava fora do radar do mercado. O decreto circulou poucos minutos antes do fechamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e puxou as ações da estatal.

Os papéis preferenciais (PN, sem voto) que caminhavam, nos minutos finais do pregão, para uma alta de 1,8%, aceleraram seus ganhos para 3,06%, a R$21,58. Os papéis ordinários (ON, com voto) também aceleraram a alta e fecharam com ganho de 2,11%, cotados a R$23,28. (Martha Beck e Bruno Villas Bôas)