Título: Governo vive prisão ideológica
Autor: Nogueira, Danielle; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 30/10/2011, Economia, p. 41

LUIZ CHRYSOSTOMO DE OLIVEIRA FILHO

Para Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, chefe do gabinete de privatização do BNDES entre 1990 e 1992 e sócio da NEO Investimentos, a mistura de Estado forte e privatizações é esquizofrênica.

Como o senhor vê o retorno do Estado a certos setores da economia?

CHRYSOSTOMO: Há uma mudança filosófica sobre o papel do Estado. Nos governos Lula e Dilma, promulga-se o Estado forte. Isso é um retrocesso. Já tivemos na nossa história um momento em que o Estado foi importante. Nos anos 50, o Brasil não conseguia atrair poupança estrangeira. Mas o Brasil mudou, é uma outra dinâmica. É hora de o Estado abrir espaço para o setor privado, que tem maior dinamismo.

Que balanço o senhor faz da privatização?

CHRYSOSTOMO: As empresas privatizadas eram deficitárias que precisavam de apoio público e passaram a ser superavitárias. Também se tornaram âncoras do investimento privado no país. Mas os governos fracassaram em criar uma estrutura mais organizada de regulação.

Se a privatização foi tão boa, por que nas eleições José Serra procurava se afastar do passado privatizante do PSDB?

CHRYSOSTOMO: Faltou coragem da oposição para explicar o que foi a privatização. Uma estratégia errada.

Há contradição entre fortalecer o Estado e privatizar aeroportos?

CHRYSOSTOMO: É a esquizofrenia do momento, fruto de uma prisão ideológica. A história do Brasil mostrou que sem apoio político as privatizações não se sustentam. Se a Dilma piscar, a privatização dos aeroportos não ocorre. (D.N.)