Título: O capitalismo brasileiro tem atrasos
Autor: Nogueira, Danielle; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 30/10/2011, Economia, p. 41

MURILO BARELLA

Para o coordenador do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento, Murilo Barella, o Estado deve liderar projetos de infraestrutura.

Como o senhor define o atual modelo de desenvolvimento?

MURILO BARELLA: É um modelo ainda em construção. Não estamos propondo o estatismo do passado e entendemos que o Estado tem de ser enxuto, mas ele não pode ser ausente. O capitalismo brasileiro tem atrasos que precisam ser corrigidos. De forma didática, diria que o modelo atual de desenvolvimento é um intermediário entre o Estado-empresário e o Estado-regulador.

Que atrasos precisam ser corrigidos?

BARELLA: O país precisa de projetos de infraestrutura que o setor privado, sozinho, tem dificuldade de fazer. Para esses investimentos de fôlego e de mais longo prazo, o Estado tem que ir na frente.

A expansão de estatais pode ampliar a tradição patrimonialista no Brasil?

BARELLA: Na crise financeira de 2008, o governo reduziu os compulsórios dos bancos, mas eles não irrigaram a economia com crédito, como esperado. Foi preciso que os bancos públicos atuassem. As estatais não estavam agindo em nome de poucos grupos.

Os críticos dizem que as estatais são ineficientes e que são loteadas politicamente...

BARELLA: Não interessa se a empresa é pública ou privada, e sim como ela é gerida. A Enron (empresa americana que quebrou em 2001) era privada e tinha uma gestão ineficiente.