Título: Novo ministro foi escolhido pela experiência
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 28/10/2011, O País, p. 4
Embora não fosse o preferido de Dilma, nem do PCdoB, Aldo foi considerado capaz de inverter agenda negativa
BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff deu sinal verde para a escolha do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-AL) como o novo ministro do Esporte ainda na noite de quarta-feira. O convite só não foi formalizado logo após o anúncio da saída de Orlando Silva por causa do "assembleísmo" do PCdoB. O presidente da legenda, Renato Rabelo, pediu à Dilma para informar o partido antes. Mas ontem pela manhã, na reunião do Palácio da Alvorada, o nome de Aldo foi apresentado como única opção, confirmando a escolha, como antecipou O GLOBO, na sua edição de ontem.
Segundo relatos de integrantes do Palácio do Planalto e do próprio PCdoB, o nome de Aldo Rebelo não seria a primeira escolha do partido e nem da presidente, numa situação de normalidade. Dilma quis para o cargo, ainda antes de tomar posse em janeiro, a deputada e ex-prefeita de Olinda, Luciana Santos (PCdoB-PE).
Mas no momento de uma grave crise, ressaltou um ministro, o nome de Aldo era o único com perfil para remover a agenda negativa que havia tomado conta do partido e do governo. Deputado experiente, Aldo tem trânsito tanto na base governista, como na oposição. Com a escolha, Dilma deu mostras de que superou seu descontentamento com o relatório de Aldo sobre o Código Florestal, que impôs a maior derrota de seu governo no Congresso.
Dilma concordou que Aldo tem o perfil adequado, por exemplo, para o enfrentamento de posições com a Fifa sobre questões relativas à Copa do Mundo de 2014. O fato de ele ter presidido a CPI da Nike, que investigou a CBF, também foi vista pela presidente como um ponto favorável para a autoridade necessária no comando das negociações. O PCdoB também viu em Aldo a melhor saída para se proteger das denúncias, e tentar melhorar a imagem do partido.
- O nome de Aldo deu estabilidade. Qualquer outro nome poderia ter problemas. Ele tem autoridade interna no partido, e externa, na sociedade. Ele não se mete em enrascada - explicou o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), que acompanha desde o início a crise envolvendo o Ministério do Esporte.
A partir do momento em que decidiu manter o PCdoB à frente do ministério, Dilma estabeleceu que a substituição teria que ser rápida, a seu estilo, para não criar espaço que pudesse ampliar a crise. Tanto que, na mesma quarta-feira, reclamou de declarações do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) de que poderia ser nomeado um interino para substituir Orlando Silva. Mas Dilma esbarrou no "assembleísmo" dos comunistas.
Segundo relatos, a própria Dilma surpreendeu Renato Rabelo na reunião que ocorreu no dia anterior, no Palácio do Planalto, ao pedir imediatamente a indicação do partido. Na mesma conversa em que Orlando entregou o cargo, Renato Rabelo disse que o nome de Aldo era o mais forte dentro do partido, mas pediu novo encontro com Dilma na manhã de ontem.
Ontem, quando Aldo foi chamado para a reunião no Alvorada, seu futuro já estava decidido. Foi a primeira conversa dele com a presidente Dilma desde a aprovação do Código Florestal no Congresso, mas houve sintonia imediata, segundo relatos dos presentes. O tema que os colocou em lados opostos há poucos meses foi evitado, e a presidente falou da intenção de ter Aldo à frente de missões políticas.
Na noite de quarta-feira, a cúpula do partido fez uma reunião para sacramentar o nome de Aldo. Em seguida, dirigentes, líderes e parlamentares do PCdoB seguiram para a residência do ex-ministro Orlando Silva, onde participaram da comemoração do aniversário da mãe dele.
- É bom que a presidente tenha decidido rapidamente. Melhor para o governo, porque evita a interinidade. Se há um período mais longo de indefinição, isso repercutiria nos programas do Ministério do Esporte, principalmente nos programas que tratam da Copa do Mundo - disse o líder do PCdoB, deputado Osmar Junior (PI).
Até quarta-feira, setores do PCdoB defendiam que fosse oferecida a Dilma uma lista com nomes além de Aldo, como os de Luciana Santos e do presidente da Embratur, Flávio Dino. A intenção era evitar qualquer tipo de pressão. Mas depois, o próprio partido concluiu que era preciso mostrar unidade na definição do substituto de Orlando Silva.