Título: UE alerta para risco de nova e profunda recessão
Autor: Do El País
Fonte: O Globo, 11/11/2011, Economia, p. 27

Freio na economia mundial e crise do euro levam Comissão a reduzir projeção de crescimento para apenas 0,6%

SEM-TETO NAS ruas de Paris: relatório diz que piora na economia será pior para os países que estão adotando duras medidas de austeridade

BRUXELAS, MADRI e ATENAS. A Comissão Europeia prevê um forte freio na atividade econômica em 2012 e não descarta a hipótese de uma "longa e profunda recessão". Em seu relatório divulgado ontem, o braço executivo da União Europeia (UE) reduziu drasticamente as projeções para o crescimento econômico da região, em relação às divulgadas no primeiro semestre. As estimativas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) em 2012 recuaram de 1,9% para 0,6% na UE, e de 1,8% para 0,5% na zona do euro. O crescimento só voltará em 2013, mas será lento, de 1,5% na UE e de 1,3% na zona do euro.

Entre as causas para esse freio a Comissão cita o estancamento da economia global e as dúvidas geradas pela crise fiscal do euro. Esse cenário é reforçado pela debilidade econômica dos principais parceiros comerciais da UE. O relatório ressalta ainda que a conta será especialmente dolorosa para os países que estão adotando duras medidas de austeridade para recuperar suas finanças.

"O crescimento empacou na Europa, e há o risco de uma nova recessão", afirma no relatório o comissário de Assuntos Econômicos, Olli Rehn. "A chave para a retomada do crescimento é restaurar a confiança na sustentabilidade fiscal e no sistema financeiro, bem como acelerar as reformas."

Grécia deve recuar 5,5% este ano e 2,8% em 2012

O cenário é pior para Grécia e Portugal, que já receberam socorro financeiro da UE, e Itália, que vem concentrando as atenções do mercado. Esta deve entrar em recessão na mudança do ano, antes mesmo de aplicar as reformas e ajustes necessários para equilibrar suas contas.

A Itália ficará estagnada, devendo crescer apenas 0,5% este ano e 0,1% em 2012. No trimestre corrente, a economia deve encolher 0,2%, e no próximo, 0,1%.

Já a Grécia enfrentará o terceiro ano consecutivo de retração econômica. Depois de ver sua economia encolher 3,5% em 2010, a Grécia deve sofrer retração de 5,5% este ano e de 2,8% em 2012. Em 2013, haveria um ligeiro crescimento, de 0,7%.

A Comissão estima que o desemprego na Grécia fique em 16,6% este ano e em 18,4% em 2012 - este, por acaso, foi o índice divulgado ontem pelo governo grego para o mês de agosto. No mesmo mês de 2010, a taxa era de 12,2%. Segundo a agência de estatísticas Elstat, o número de desempregados ficou em 907.953.

Para Portugal, que pediu ajuda financeira à UE em abril, a Comissão projeta uma retração de 1,9% este ano e de 3% em 2012. No ano seguinte, a economia portuguesa teria expansão de 1,1%. Pelas projeções, Portugal registraria taxas negativas desde o recém-concluído terceiro trimestre (-1,4%) até junho do ano que vem (-0,3%).

Chipre e Luxemburgo também registrariam dois trimestres consecutivos de retração na economia. Em Luxemburgo, seria neste semestre (com quedas de 0,2% e 0,1%), apesar de o ano encerrar com expansão de 1,6%. Também neste semestre, Chipre veria sua economia se retrair 1,7% e 1,8%, fechando 2011 com crescimento de 0,3%.

Dívida pública na zona do euro passará de 90% do PIB

Na Irlanda, que também foi socorrida pela UE, o cenário não é tão ruim. A economia teria expansão de 1,1% este ano e no próximo.

A Espanha, que também vem adotando medidas de austeridade e enfrenta desemprego acima de 20%, registraria crescimento de 0,7% este ano e em 2012. Mas o desemprego continuaria no patamar de 20% ainda em 2013, quando o país deve ter expansão de 1,4%.

As grandes economias do continente também vão desacelerar. Na Alemanha, o crescimento deve recuar de 2,9% este ano para 0,8% em 2012. A projeção para a França é de 1,6% em 2011, recuando a 0,6% no ano que vem. O Reino Unido deve crescer 0,7% este ano e 0,6% no próximo.

A Comissão também estima que o endividamento público continuará pesando na Europa. Para os 27 países que formam a UE, a projeção é que a dívida atinja o pico de 85% do PIB em 2012. Na zona do euro, deve passar de 90% no ano que vem.

Já o déficit fiscal deve ficar, este ano, em 4,7% do PIB na UE e em 4,1% na zona do euro. Em 2012, recuaria para 3,9% e 3,4%, respectivamente. O limite previsto no Tratado de Maastricht é de 3% do PIB.

(*) Com agências internacionais