Título: Código Florestal: violência domina sessão
Autor: Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 10/11/2011, O País, p. 14

Votação no Senado vira debate sobre ação da Polícia Legislativa contra estudante

BRASÍLIA. A sessão de votação dos destaques ao relatório do Código Florestal, ontem, virou um debate sobre a ação da Polícia Legislativa do Senado, que, na última terça-feira, atingiu com uma arma de choque um estudante que protestava contra o texto aprovado pelas comissões de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Agricultura (CRA). O presidente da CCT, Eduardo Braga (PMDB-AM), e um dos relatores do Código, Jorge Viana (PT-AC), condenaram a violência e defenderam o direito de expressão de opinião. Já os ruralistas Reditario Cassol (PP-RO) e Kátia Abreu (PSD-TO) reclamaram do constrangimento que sofreram por parte dos estudantes.

- Acho extremamente lamentável esse episódio. É necessário que a Polícia do Senado possa encontrar uma maneira para lidar com os problemas do dia a dia sem fazer uso dessa violência - afirmou Viana.

- Eu soube que houve crítica por parte dos senadores aos seguranças. Eu pergunto a esses senadores que acharam que os seguranças se excederam: o que eu vou fazer hoje para sair daqui? Alguns não terão problema, mas eu terei. Já estão lá fora gritando meu nome. E aqui é meu lugar de trabalho e eu não quero passar constrangimento no meu local de trabalho - disse Kátia.

Para tentar evitar vaias a Kátia na saída da comissão, Eduardo Suplicy (PT-SP) se prontificou a conversar com os manifestantes. Mas foi em vão. Ao deixar o corredor das comissões - bloqueado pela Polícia Legislativa - a senadora foi perseguida por estudantes que estavam no local. Eles a acompanharam até o plenário gritando: "Não! Não! Não nos representa!"

Apenas um destaque foi aprovado, dos 20 apresentados ao relatório de Luiz Henrique (PMDB-SC), aprovado ontem. Dois foram rejeitados, e os demais foram retirados da pauta e serão debatidos e incorporados no relatório de Jorge Viana (PT-AC). O tema mais polêmico são as margens desmatadas de rios. Os ruralistas querem retirar do texto a obrigação de recuperação das áreas por quem desmatou.