Título: Em Brasília, malfeitos e escândalos em série
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 09/11/2011, O País, p. 10
Roriz, Arruda, Agnelo...
BRASÍLIA. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), ainda nem completou o primeiro ano de governo e está às voltas com pesadas denúncias de corrupção. As acusações, amparadas em áudios, vídeos e recibos, têm obrigado o governador a ir a público todos os dias dar explicações sobre supostos malfeitos, mas nem por isso são surpreedentes. Denúncias de negociatas e malversação de dinheiro público têm sido frequentes na história recente da política brasiliense. Todas contra os principais chefes políticos locais.
O mais recente escândalo, deflagrado com a Operação Caixa de Pandora, resultou na prisão e perda do mandato do ex-governador José Roberto Arruda. As investigações sobre o chamado mensalão do DEM abateram também o ex-vice-governador Paulo Octávio, forçado a renunciar em meio a denúncias de distribuição de propina com dinheiro arrecadado entre empresas contratadas a peso de ouro pelo governo. Em 2009, no início da Caixa de Pandora, Arruda despontava como um dos principais líderes do DEM.
Paulo Octávio se credenciava como forte candidato a uma eventual sucessão de Arruda. Arruda foi filmado recebendo um pacote de R$50 mil do delator do operador do mensalão, o ex-secretário Durval Barbosa. Auxiliares de Paulo Octávio também foram flagrados pela câmera indiscreta de Durval recebendo dinheiro de origem ilegal. Em 2007, dois anos antes da Caixa de Pandora, o todo poderoso Joaquim Roriz, que governara o Distrito Federal por quatro mandatos, teve que renunciar ao mandato de senador.
Roriz foi flagrado numa conversa em que combina com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Tarcísio Franklin a partilha de uma suposta propina paga pelo empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas. Antes da ruína política de Arruda, Paulo Octávio e Roriz quem teve que abreviar a carreira foi o ex-senador Luiz Estevão. O ex-senador teve o mandato cassado depois de ser acusado de envolvimento no desvio de R$169,5 milhões do Tribunal Regional do Trabalho, de São Paulo.
Todos esses casos têm um dado em comum : até o momento nenhum dos acusados foi julgado em caráter definitivo. No caso de Arruda e Paulo Octávio não há, ainda, nem mesmo denúncia do Ministério Público Federal. A Polícia Federal concluiu as investigações no início do ano passado, mas a subprocuradora Raquel Dodge está analisando dados complementares para fazer a acusação formal contra os ex-governadores.