Título: Políticos do Rio elevam o tom e cobram o veto de Dilma a projeto de royalties
Autor: Durão, Mariana
Fonte: O Globo, 08/11/2011, Economia, p. 25

Mobilização marcada para quinta-feira espera reunir mais de cem mil pessoas

Mais de uma centena de parlamentares, prefeitos e lideranças do judiciário e da sociedade civil lotaram ontem o Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, numa prévia do que será a mobilização "Contra a Injustiça - Em Defesa do Rio" marcada para a próxima quinta-feira. No encontro convocado pelo governador Sérgio Cabral, políticos do estado e de municípios fluminenses elevaram o tom ao cobrar apoio federal e o veto da presidente Dilma Rousseff, caso o Senado aprove a alteração da distribuição dos royalties em prejuízo dos estados produtores. A expectativa é reunir mais de cem mil pessoas no evento.

- Temos que mostrar ao governo federal que não queremos invadir direitos de ninguém, mas não queremos que invadam o nosso. O Rio não quer que receitas tão importantes para o dia a dia das pessoas sejam comprometidas - disse Cabral.

Cabral lembrou que Rio deu 70% de seus votos à Dilma

Ao lado dos senadores fluminenses Francisco Dornelles (PP), Lindbergh Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), Cabral voltou a bater na tecla de que o Rio deu 70% de seus votos à presidente Dilma. O governador cobrou coerência do governo, caso o Congresso aprove o substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que redivide as receitas do petróleo, incluindo as das áreas já licitadas.

- O governo, quando mandou ao Congresso a mudança do marco regulatório, não invadiu o já licitado. Se teve essa preocupação, é essa lógica e coerência que cobramos. Caso o Congresso viole o princípio, que o governo vete por meio da presidente Dilma - disse Cabral.

À frente da defesa do Rio no Congresso, Dornelles afirmou que Dilma tem a responsabilidade de evitar uma guerra entre os estados, o que considera inevitável se os produtores forem derrotados politicamente. O senador criticou a delegação das negociações a ministros que "não têm sensibilidade política para considerar os impactos sociais da medida", referindo-se indiretamente a Edison Lobão, de Minas e Energia. Já o vice-governador Luiz Fernando Pezão cobrou que Dilma honre o compromisso assumido por Lula (do veto) e afirmou que os 92 municípios do Rio serão jogados às traças sem o dinheiro dos royalties, assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O foco dos líderes do Rio ao veto foi criticado pelo deputado e ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ). Ele avalia que a estratégia é arriscada, já que a decisão da presidente pode ser derrubada no Congresso. Segundo ele, está sendo articulada a apresentação de um novo texto à Comissão Especial criada na Câmara para avaliar os royalties. O substitutivo pediria a manutenção da atual divisão de royalties em áreas já licitadas e mudaria os critérios para o futuro.

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical citaram a preocupação com a redução de empregos. A Fecomércio-RJ já estima que o estado poderá perder cerca de um milhão de postos. A preocupação se estende à indústria. O presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, convocou as empresas a liberarem seus funcionários a partir das 15h do dia 10 para o ato público. As repartições públicas estaduais e municipais terão ponto facultativo, e a Assembleia Legislativa do Rio cancelou sessão no dia da manifestação. Segundo Cabral, as concessionárias de transporte público não vão cobrar passagem dos manifestantes.

Os 11 municípios da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) estão organizando a vinda de dez mil pessoas em 200 ônibus.

A concentração para a passeata será a partir das 15h, na Candelária. A caminhada seguirá pela Av. Rio Branco até a Cinelândia, onde artistas vão se apresentar e convocar a população a defender os royalties. Até quinta-feira, grandes faixas vão chamar a atenção em mais de 20 pontos do Rio e de Niterói.